Uma Luciana do Viver a Vida, de verdade.

abril 1st, 2010

No princípio, a televisão brasileira fazia novelas amparadas nos dramalhões. Essa estética talvez tenha origem em El derecho de nacir, sei lá.

Depois, Braulio Pedroso fez Beto Rockfeller e as novelas ganharam nova roupagem.

Passaram-se os anos e autores passaram a usar do veículo para abordar temas de interesse público.

Acho que a novelista Glória Perez é quem começou com isso, não foi?

Em evidência, a novela Viver a Vida discutindo os direitos dos cadeirantes com a atriz Alinne Moraes no papel da tetraplégica Luciana.

Mas é uma cadeirante riquinha, à qual em casa tudo parece ser lindo e maravilhoso. Exceto por uma irmã pentelha (que ninguém por ali leva a sério) a cadeirante Luciana tem tudo para viver uma vida feliz e realizada.

E como são essas pessoas de carne, osso e cadeiras de roda?

Olhem só, que pérola aqui chegou pelos fides compartilhados por Lúcia Freitas:

É fazendo merda que se aduba a vida

Já dizia um sábio chinês. Esses dias estava gravando uma entrevista na rádio, falando com um albino do interior de São Paulo, quando minhas pernas começaram a abrir, ou seja, banheiro.
Não dava pra parar a conversa e tive que usar todo o meu poder de concentração pra não soltar uma bufa que vazasse no áudio. Foi foda!
Veja nesse Comédias da Vida Aleijada o restante.
O ser humano pode ser um grande filho da puta mas ainda surge cá e lá uma ou outra pessoa maravilhosa.
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Eu ouço vozes. Ou vice-versa.

março 31st, 2010

O título é uma referência a essa novela da Globo que vem por ai. Pelo visto, uma mistureba de espiritismo com dramalhão mexicano. Ou vice-versa.

Quer apostar quanto, que haverá por lá um “eu ouço vozes”?

Bobagem… isso é o que dá ter um blogue e não ter o que contar e ter amigos para se dar um sinal de vida.

Ah, tem assunto sim!

Ontem, morreu o Manga. O tal era um maloqueiro cá da cidade que se fazia acompanhar por uma matilha de cães, de vira-latas. Não que ele fosse dono dos cães, nada disso.

Antes, eles eram amigos. Manga dividia com eles a comida que conseguia, sempre tinha aquela boa alma a dar um pouco de ração para os animais e, nas noites frias, dormiam empelotados sob um mesmo cobertor, nalguma praça à beira do Tietê.

Tietê (bem lembrando, por aqui é razoavelmente limpo) no qual o Manga costumava murgulhar. E do alto de uma ponte histórica, ponte de arcos feita por alemães no início do século passado.

Bem, vez por outra o Manga aborrecia até quem gostava dele, xingava os botequeiros que lhe negassem mais um trago. O Manga incomodava. Nem tanto pela pinga que filava mas pelos cães vicejando ao seu redor espantando a freguesia.

Fazer o quê. E o Manga morreu exatamente afogado, num de seus mergulhos. Talvez estivesse chapado demais e tenha batido com a cabeça, sei lá.

Os cães, seus amigos, parece-me que já encontraram uma boa alma para cuidar. Cães que velavam o sono do Manga e o protegiam até da polícia, vejam vocês.

Tanto, que o fato dos cães serem dados a perseguir todos e apenas carros da polícia, TODOS. Era como se soubessesm que dali é que desciam os homens que vinham aporrinhar seu amigo humano.

A morte de Manga foi hoje, notícia do jornal de meio dia de uma rádio local. E até o compararam com um outro sujeito que também escolhera como opção de vida o desapego e a vida na natureza, entre os animais.

Esse natureba mais antigo foi canonizado pela Igreja Católica. Quanto ao Manga, coitado, ele só queria sua cachacinha no correr do dia.

Pau a pau

março 27th, 2010

Taí algo que alguém mais espirituoso que eu poderia escrever: como vencer por um pau de diferença uma disputa travada pau a pau.

Como em corrida de cavalos, sabem, quando o bicho vencedor consegue por um focinho de diferença, medido pela célula foto-elétrica.

No caso em tela, literal e figurativamente, o pau a pau pode ser literariamente destrinchado.

O pau literal é o da expressão popular para a métrica de uma disputa, sabemos.

Só não sei a origem disso, quem inventou isso de pau a pau.

O pau figurado, bem… Dicesar e Dourado são arquétipos de grupos sociais distintos e tradicionalmente antagônicos, não são?

Ou estaríamos tratando do pau e do anti-pau?

Cara, vou parar por aqui senão começo um tratado filosófico que não terminaria nunca!

Mas o que me trouxe aqui foi para contar como esse tal de BBB até que traz interessantes modelos da vida. Exemplos reais, ao vivo e em cores, de lições de vida.

Falo da sister Fernanda.

Puxa, que menina determinada do cacete, hem?

E digo mais: se ela tinha um tal namorado aqui no mundo normal e tudo indica que o cara não lhe deu valor. Esse sujeito é um baita de um babaca, perdeu uma mulher diferenciada.

Pô, enquanto ela esteve presa a esse compromisso pré-reclusão, comportou-se como uma donzela, com o recato pertinente ao caso.

E sem perder a garra, eis que em provas daquele período mostrou sua força de vontade.

E tem se mostrado inteligente, determinada e articuladora. E sem perder a ternura.

Nénão?

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Clichê manjado demais da conta

março 25th, 2010

Tá ligado em que seja clichê em Cinema? Sabe, aquela cena ou situação que se repetem em filmes. Ou melhor: que diretores e roteiristas medíocres as remedam de outros e as usam em seus filmes.

Pela quantidade delas logo no início de um filme, é o bastante para avaliar a qualidade do produto. E mudar de canal, é claro.

Ainda ontem topei com uma – em um filme com bons atores, vejam só – em que na cena do crime, entre uma dezena de policiais, peritos e fotógrafos da polícia técnica, chega o policial fodão do filme.

E, chegado no que parece ser horas após todos esses especialistas estarem por ali fuçando tudo, é ele quem encontra aquela qualquer coisa que será a pista principal para que seja desvendado o crime.

Que pé.

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