Ainda encontro dificuldades para mentalizar as pessoas na China vestidas à moda ocidental.

É sério, não brinco. Todas vez que China ou chineses me vêm à mente, sempre os tenho com aqueles camisolões “lançados” por Mao Tsé Tung (a pronúncia, é Mao Zedong) e que vestiu por décadas aquele bilhão e tantas centenas de milhões de entes em preto, branco ou cinza.

Sem chances para qualquer colorido “do decadente mundo capitalista” como pregou o Grande Timoneiro, ao estilo dos comunistas de então.

Mas iria revirar-se no túmulo o velho Mao se visse a novíssima juventude chinesa com seus cabelos e roupas multicoloridas, tipo colando os jovens japoneses e sul-coreanos. (Nem digam que está se revirando porque seu espírito a tudo vê. Comunistas nunca gostaram dessas coisas de religião, num sabem?)

E a própria China, como um todo, tenho-a na mente por aquela Pequim entupida de bicicletas pelas ruas (um trânsito caótico, de bicicletas!), poucos carros e ônibus. No campo, vilas de camponeses mal vestidos, magros e sempre com aparência de fome.

É, mudou. Mudou muito. Pelo menos, até onde a censura chinesa nos permite ver o que mudou. Mas o que me parece não ter mudado, foi a dureza do regime para com as pessoas.

Puta merda, um terremoto que ceifou mais que uma dezena de milhares de vidas e nenhuma mãe em desespero, chorando de arrancar os cabelos?

Claro que deve ter havido isso. O regime é que não permitiu ser mostrado. As cenas que nos mostram, é de pessoas com roupas que parecem ter sido tiradas naquele momento do armário. Impressionante como manipulam a informação, esses países.

E de Miamar então, o que dizer? Ora, só vim a saber que existia um país chamado Miamar quando os monges sairam às ruas pedindo mais humanidade ao regime, uma ditadura militar. Isso, foi em fins do ano passado, não foi?

Primeiro, que não é um país nascido com esse nome, apenas mudou-o. Antes, era a Birmânia, ou Burma. E sempre confundi a Birmânia com a Tailândia.

Acontece que a Tailândia é o antigo Sião, donde me vinha a lembrança do filme “O Rei e eu”, com Deborah Kerr e Yul Brynner.

Então, com aquele aparato cenográfico de Hollywood dos anos cinqüenta, era essa a imagem que eu dali fazia. E nada a ver… Hoje, eles estão no avesso do avesso de minhas memórias.

A história de seu colonialismo prolongado, notícias de catástrofes naturais, governos corruptos e/ou ditadoriais transformaram o glamour (de minhas lembranças) em miséria (real e palpável).

Perceberam? Falava-se em Miamar, eu lembrava o Sião glamouroso de Hollywood. Falava-se em China, eu lembrava do país sujo e pobre. E na verdade, estão hoje, exatamente para o inverso disso. Ambos.

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