Fórum Mundial de Davos? Prefiro um BlogCamp.
Klaus Schwab era em 1971, um jovem professor alemão de trinta e um anos quando aconteceu um simpósio da associação que fundara, a European Business Leaders (Líderes Europeus do Mundo dos Negócios) na aprazível cidade suiça de Davos, pais onde já morava e lecionava.
Sua inspiração foi a de lançar um “desafio europeu”, em resposta à forte impressão que tivera com a leitura de “O Desafio Americano”, publicado por Jean-Jacques Servan-Schreiber, jornalista e político francês, em 1967.
Não imagino o que poderia conter esse livro para assombrá-lo. Minha memória para a época lembra uma Europa ainda fragilizada pela Segunda Guerra Mundial, fortemente atrelada à economia americana e dependente de seu “guarda-chuva” nuclear.
Ainda dividida pelo Muro de Berlim, ao leste apontavam-lhes para permanente desassossego, a potência dos mísseis soviéticos.
Imaginemos então, Klaus Schwab, ainda alguns anos mais jovem, abaixo dos trinta anos certamente, quando pensou as possibilidades de seu projeto. Imaginem um jovem com um projeto assim, uma pasta cheia de folhas datilografadas e croquis, saindo a cata de recursos para sua realização.
Certamente deva ter passado por muitas contrafeitas até conseguir avistar-se com homens influentes e viabilizar os recursos. Ficou na história como um desses homens, Raymond Barre, político francês que chegou depois a ser primeiro ministro da França (1976-1981, no governo do presidente Valéry Giscard d’Estaing).
O líderes europeus foram tomando gosto pelas reuniões (E quem não gostaria de um pouco de sossego na pacata, neutra e acolhedora Suiça, na tensão que viviam?). Foram servindo como forma de contato entre os líderes europeus sob um escudo protetor (a Europa se “cotovelava” muito nessa época…) de um evento parlamentar num país neutro e trazendo publicidade positiva aos participantes.
Considere que a Europa recuperou-se de vez nas últimas décadas e o evento ficou atraente para o mundo, uma vitrine dos países ricos, de seus expoentes pessoais e realização da vaidade dos emergentes.
Lula, deve ter percebido que aquilo é uma abobrinha de vaidades e nem foi desta vez porque não tinham mais por onde azeitar a sua própria vaidade.
Acho que ele esgotou-se como curiosidade para o mundo, como o operário presidente do maior pais da América Latina.
Para mim, é esse o tal Fórum Mundial. E com um polpudo orçamento. Segundo seu relatório anual, o orçamento do Fórum Econômico Mundial é de 70,8 milhões de euros (R$ 186,56 milhões).
Esta quantia provém essencialmente dos direitos de adesão (17,2 milhões de euros – R$ 45,32 milhões); dos direitos de participação (18,6 milhões de euros – R$ 49 milhões) e das parcerias (31,5 milhões de euros – R$ 83 milhões).
Vão para lá, Bill Gates, Al Gore, Bono Vox e outras personalidades do mesmo naipe que pagam caro para discursar suas idéias e filosofias.
Mas, passam-se os anos e o Fórum Econômico Mundial termina onde começa cada versão: com nada de prático visível para o mundo dos pobres, do qual tanto falam. Alias, o mundo só ouve falar Fórum Econômico Mundial de Davos, em seu período de realização.
Acho que eles deveriam aprender alguma coisa com os blogueiros brasileiros. Com menos tempo de estrada e sem ter um orçamento, têm feito BlogCamps e voltado para casa com resultados.
Quando eu ler que dinheiro saido de lá construiu uma escola na África, eu mudo de opinião e atualizo essa postagem.
E, gente, não vale o que individualmente alguns dali fazem, pois isso, fazem.
E, por favor, se você souber de alguma coisa de prático que saia de lá e que me faça deixar de pensar que não passa de um convescote de bilionários, me avise. (r6)
janeiro 24th, 2008 at 23:58
Considerações sobre o Fórum Econômico Mundial de Davos com a presença de Bill Gates, Bono Vox, Al Gore e a ausência do presidente Lula. Os BlogCamps são mais produtivos.