Toca Raul!, o meme
Postado por Sergio em 25 Set 2007 em 02:10 am | Em: Meme
Não cheguei a ver Raul Seixas de perto, não mesmo. Quando aqui na minha região aconteceu dele vir para o Festival de Águas Claras, eu e minha turma “raulseixista” programamos a ida.
Não lembro hoje, porque diabos não fomos. É um irremovível arrependimento que vou carregar para o resto da vida.
Nós éramos dos poucos que compreendiam o que Raul dizia em suas músicas, que entendia sua filosofia. E não fui também no Rock in Rio depois, porque Raul não estaria.
Meu filho, do alto de seus cinco aninhos, disse: “Pai, o Rock in Rio não vai ter graça porque o Raul não vai, né?”.
É sim filho.
Mas, eba, sou dos poucos afortunados “raulseixistas” que têm vivo, um amigo que urinou com Raul. Foi numa boate em Sampa, quando esse meu amigo topou com Raul.
Estava ele, Raul, bebendo e jogando conversa fora com uns amigos, rindo muito.
“Cara, eu fui lá para ficar com algumas mulheres, mas quando vi Raul, esqueci das mulheres”, disse-me depois, esse meu amigo.
Passaram-se as horas e numa ida ao mictório trombou lá com o Maluco Beleza “tirando água do joelho”.
Tímido, e nem tão “raulseixista” a ponto de levar a mão para um cumprimento naquele momento, meu amigo limitou-se a dizer que gostava das músicas dele. E Raul respondeu:
“Ainda tô começando, ainda tô começando”.
Profética a idéia da frase, que não truncou-se por ter sido “convidado” pela ditadura, a deixar o país. E ele deixou. Mas Rockxixe conta melhor que eu:
Você é forte, faz o que deseja e quer
Mas se assusta com o que eu faço, isso eu já posso ver
E foi com isso justamente que eu vi
Maravilhoso, eu aprendi que eu sou mais forte que você
Toda música de Raul Seixas é eivada de algo maior do que simples compreensão da letra, enquanto componente melódica. É necessário conhecer de sua história para poder decifrá-la. Seja com a política, com a filosofia, com a religião, com o momento da música brasileira, com tudo enfim.
Canções como “Aluga-se” perpetuam-se como atuais. “Mosca na sopa”, era ele dizendo para a ditadura que não seria o único, que outros viriam. “Tente outra vez” levantou o astral de muita gente em muitos momentos.
Se fosse relacionar cada composição e sua estética, essa postagem ficaria muito longa.
Não há uma só composição sua que não seja (ou não sirva como) um registro musical ou histórico. Os compiladores de suas metáforas entendem mesmo sua difícil compreensão, pois muito além da cultura média do brasileiro.
Com isso, conseguia driblar a censura existente nos “anos de chumbo”.
Raul é o maior long seller (1) da música brasileira, só perdendo em direitos autorais para hypes musicais como Zéze de Camargo, por exemplo. Zezé chegou a emplacar a um só tempo, perto de uma dezena de suas composições nas paradas gravadas pela dupla com o irmão Luciano e outros cantores.
O raulseixismo parece apenas crescer com o tempo. Muito de seus fãs não têm idade para lembrar dele vivo. Sua imagem com fartos cabelos, bigodes, cavanhaque e óculos escuros é iconizada como representativa de toda uma ideologia, toda uma geração.
Em menor projeção, é claro, mas comparativamente, àquela conhecida de Che Guevara.
Luiz Lima, uspiano, escreveu uma Tese de Doutorado sobre o Raul Seixas e os movimentos da Contracultura jovem dos anos 60 e 70, pelo Departamento de História Social da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Ela foi publicada recentemente pela Terceira Margem Editora, com o título “Vivendo a Sociedade Alternativa: Raul Seixas no seu tempo”, onde se pode conhecer um pouco da história política de Raul Seixas.
Mesmo sem defender uma causa em específico (2), não há como negar a contribuição de Raul Seixas na desmoralização do regime de exceção.
Por essas e outras que “Toca Raul!” é um meme que deverá perdurar ainda, por tempo indefinido.
(1) - Long seller são aqueles títulos que nunca saem do catálogo, que mantém uma boa vendagem ao longo do tempo e dificilmente entram em promoção “limpa prateleiras”.
(2) - Raul Seixas cantava uma utópica anarquia, um lugar ideal onde para algo ser lei, bastaria a vontade individual.
Se você acha legal mostrar um Raul Seixas que poucos conhecem, vote nessa postagem no Rec6. Se não for cadastrado no sistema, o botão com o numeral amarelo o levará até lá. Clique e vá!
As mais recentes:
O melhor do volei de praia na Olimpíada de Pequim
O petróleo do pré-sal e uma nova estatal para ele
Manchete equivocada. Ou, ensaio anestésico.
Diego Hipólito fail
Qual cantor de churrascaria ainda não ouviu um “Toca Raul!”? Um breve relato de Sérgio Grigoletto que explica Raul Seixas.
Eu também nasci há dez mil anos atrás.
[Reply]
Sérgio, sou um desses fãs que não têm idade para lembrar dele vivo.
Prá não dizer que não lembro dele, eu lembro sim, em Pluct Plact Zum!
Eu devia ter bem uns 5 anos? por aí….
Nossa, lembrei da música o corpo até está querendo dançar aqui!
Abraço!
[Reply]
E essa música, “Pluct Plact Zum!”, na citação “tem que ser selado, carimbado, rotulado, etc…” é uma referência a um texto do ocultismo que Raul dedicou-se profundamente.
Um de seus gurus, foi Alester (ou Alistair) Crowley, um ocultista inglês famoso, que chegou a influenciar de Fernando Pessoa a Ozzy Osbourne.
Abraço!
[Reply]
[Reply]
Entender Raul Seixas e suas musicas foi uma coisa que demorei um pouco para entender, compreender o novo aeon, a lei a sociedade alternativa, o amor.. tudo isso Raul conseguiu escrever, cantar musica ou historia, em suas frases poemas, muito bem, simples, graças a ele eu aprendi a amar e viver a minha lei. Sem duvida o que seria do Brasil sem sociedade alternativa, o que seria de nos ” raulseixistas” cada palavra de Raul deve ser lembrada em toda nossa geração.
AGRADEÇO A RAUL POR TUDO QUE CONSEGUI VER E VEREI
VIVA A LEI, A LEI DO FORTE ESSA É A NOSSA LEI
” Amor é a lei, amor sob vontade”
“Faça o que tu queres, ah de ser tudo da lei”
[Reply]