Carlos Cardoso na contramão

Boneca BarbieEntrevistando Madame Bela, o Cardoso conseguiu um bom material para seus leitores.

Explorou pouco – por timidez confessa ou por sentir-se ainda em terreno novo – mas o que conseguiu, está muito além do que olhos nús podem ver.

A matéria me inspirou um caminho inverso daquele feito pela Barbie, que teve como modelo uma boneca que existiu na Alemanha, a Lilli.

Lilli era uma boneca garota de programa. Não ela, mas o desenho que saia nas tiras de um jornal alemão, que depois ganhou formas tridimensionais.

A empresária que criou a Barbie, descartou da matriz tudo que pudesse remeter às suas origens, para chegar no mercado, “sem máculas do passado”. Nada mais natural para a época e para um publico infantil também, é claro.

O caminho inverso do Cardoso foi encontrar numa Lilli, onde estava a Barbie.

Barbie, é a aspiração. Lilli, é condição.

Madame Bela não é um transformer de Isabela Araújo. Madame Bela e Isabela Araújo são unidade. Bem mais complexo que uma separação da atriz de sua personagem.

A parte da entrevista com curiosidades sobre seu trabalho, seus clientes, é síntese do disponível em seu blog e em formato similar ao que escrevia Bruna Surfistinha, a primeira garota-de-programa- também-blogueira.

Mas são processos distintos, pois Bruna atingiu um estrelato meteórico e usou de sua imagem unicamente para vender livros, fazer dinheiro. Desde programas como o Jô Soares até o escrachado Pânico.

Agora, o teor da entrevista de Madame Bela pelo Cardoso que mostra a mulher, é enternecedora. É mulher como qualquer outra que busca firmar-se, relacionar-se, fazer amigos, encontrar seu espaço, ser aceita, amar e ser amada.

É uma pessoa agradável, inteligente, bonita e está apenas usando das armas que a natureza a dotou para sua busca.

A Lilli, apenas está. Quem é, é a Barbie.

Programas de televisão que dão espaços para pessoas assumidas em seu jeito de ser e viver, os apresentam como curiosidades, aberrações ou para despertar pena ou preconceitos daqueles que julgam do alto de sua hipócrita ortodoxia.

Toda força aos blogues, se existe a disposição para se olhar primeiro para o ser humano que pensa, sofre, sonha, ri, toma seu cafezinho, sua cachaça, nasce, vive e morre. Como todos.

Ignorância hipocrisia, preconceitos e puritanismo sempre existirão. Demora muito ainda, para que não exista mais quem ache “O povo contra Larry Flint”, um filme de pornografia. Ou que o presidente cortou um dedo de propósito, para receber da Previdência Social.

3 comentaram sobre “Carlos Cardoso na contramão”

  1. Olha Sérgio,
    eu não sei quem é você (me desculpe por isso).
    Cheguei no seu blog por causa do link de referência ao madamebela.net neste texto e fiquei encantada.
    Um pouco pela história da Barbie que não conhecia e muito pelos elogios que você e fez.
    Resolvi agradecê-lo humildemente e deixar um grande beijo.
    SMACK!

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    Sergio respondeu em setembro 8th, 2007 22:03:

    Olá, Bela!

    E nem é um elogio e ganho um beijo! Ora, que ótimo!
    Sou um escritor/poeta/blogueiro então, gosto de observar além do visível, apenas isso.
    E muito boa sorte para você, em tudo.

    Sérgio

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  2. [...] entende? Sobre faturamento, também conferi que é possível um blogue converter dinheirinho de Barbie em dinheiro real. A partir desse ponto, como não tenho pretensões profissionais, não devo seguir [...]

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