Porque guardamos papel higiênico usado?
“Porque vocês guardam papel higiênico usado?”, foi a pergunta feita por um argentino à um amigo meu.
Esse meu amigo, Edilson Torres, produz em sua empresa artigos voltados à exportação e é frequente a visita da gringolândia à sua fábrica. Conhece gringo do mundo todo.
Bem, daí que ele comentou essa outro dia lá em nosso ponto de fim de tarde (sim, bar) e vi nisso um interessante dado para pesquisa cultural.
E vejam vocês: é um comportamento cultural de tal forma condicionado que nunca nos perguntamos porque fazemos aquilo. É a tal herança não genética que já falei em outras postagens.
Se atinarmos que papel higiênico é material imediatamente biodegradável quando em contato com a água, e praticamente atóxico, porque não o descartamos no vaso sanitário?
Porque a vasilha para o descarte veio antes do uso massificado do papel higiênico no sanitário.
Se considerar que, de memória lembro, até a metade do século passado as famílias que vinham do meio rural para as cidades – a maioria – por dispensar essa comodidade em suas origens demorou para incorporar seu uso aos hábitos urbanos, algo começa a ficar claro.
Assim como hoje é senso comum reutilizar sacolas de supermercado como sacos de lixo, na época tudo quanto era papel que vinha da rua era fatalmente usado como papel de uso no sanitário. (E cadernos escolares usados, também, serviam essa finalidade menos nobre. )
E, esgotos encanados que nos deram as cidades, imagino quantos não foram entupidos até que se adotasse a lata de banha como lixo de banheiro. Esses, são detalhes que vivi.
E conto: demorou muito para que minha mãe um dia surgisse com alguns rolos de papel higiênico nas compras.
Sabem o suporte para os rolos embutidos na parede do banheiro? Eles nem existiam, tal a ausência da cultura do uso do papel higiênico. Então, faziam gambiarras com arame atrás da porta ou nos ferros do vitraux, para suporte dos rolos.
E o papel rústico atirado à lata (com o tempo, substituídos por cestos apropriados, de plástico) prevaleceu como destino para o papel higiênico.
Junte a isso a lenda que ficou, não atire papel no vaso para não entupir o esgoto caminhando em paralelo e temos isso que vemos hoje.
Um parênteses a considerar também, é que não estava ainda difundido o uso de válvulas tipo hidras (coisa de ricos) mas apenas a caixa d´água de descarga, insuficiente como força hídrica para impulsionar dejetos e o papel para a rede coletora.
Com a hidra, mete-se o dedo no botão e fica-se a esperar.
No entanto, no entanto… como agora também vivemos uma época de conscientização sobre uso racional dos recursos naturais – fortemente aplicado à água – acho melhor que continuemos a guardar nossos papéis de merda.
.
abril 23rd, 2009 at 19:25
“Bosta não é tinta, dedo não é pincel, pra limpar o
c…, por favor colocar papel”
Sergio respondeu em abril 24th, 2009 22:17:
Vi essa também! Acho que foi num banheiro de rodoviária…
abril 24th, 2009 at 9:24
Eu acho bem mais prático jogar o papel no vaso depois do uso, mas já vi muita privada (inclusive de uma casa minha, quando tentei começar a fazer isso) ser entupida por conta disso. Na maioria das nossas privadas falta força hídrica e muito provavelmente tamanho de encanamento.
Sergio respondeu em abril 24th, 2009 22:19:
Oba, então quer dizer que é mesmo fato. Seu comentário veio a enriquecer essa postagem.
Obrigado!
abril 25th, 2009 at 18:17
Aliás pensando bem, é um item tão cultural que nunca questionei sua existência. O que me intrigava é “OK, papel no vaso não pode. Mas não pode porque? Porque entope, me diziam. Tá. Mas então, como que NUNCA um vaso meu entupiu por causa disso?” Já vi transbordarem por fluxo de água insuficiente, ou N outros motivos, mas a prática e a estatística me dizem que papel não entope o vaso. E olha que minha descarga é de caixa-d’água.
Acho que isso só mostra o quanto as pessoas aceitam os fatos sem questionar nem refletir, e repassam os dogmas de boca em boca, pelas gerações.
Não refletem nem quando estão no santo isolamento do trono…
Sergio respondeu em abril 25th, 2009 20:17:
Que legal que você gostou! Uma das coisas que mais gosto de fazer no blogue é desvendar esses mistérios, quando surgem.
Abração!
julho 11th, 2009 at 22:59
Se for jogado dentro do vaso sanitário, vai acabar nos córregos e rios na maioria dos casos. Os cursos d’água não tem capacidade de absorver a enorme carga de matéria orgânica que o papel contém, pois ele é feito de celulose.
setembro 14th, 2009 at 20:03
Além da coleta seletiva, aqui no Brasil tudo é jogado no mesmo lixo, coisa que deveria ser proibida.
E mais, jogar lixo na rua, outro hábito brasileiro, quantas vezes eu não vi alguém jogando lixo na rua como se fosse normal! Depois só sabem reclamar das enchentes aqui em São Paulo.
abril 16th, 2010 at 13:46
Acredito que essa prática diminui contaminação, sem contar o péssimo cheiro que fica acumulado no banheiro quando se tem a tal cestinha.
O papel é biodegradável, isso é fato. Só não vale jogar meio rolo de uma vez, pois aí não tem privada que aguente….
abril 16th, 2010 at 19:21
O papel higienico se desfaz muito mais fácil na água, mas é preciso levar em consideração que em muitas cidades desse nosso Brasil, ainda não há rede de esgoto eficiente e que em empresas e escolas o ato de jogar papel no vaso vai gerar entupimentos, devido à grande quantidade de pessoas que vão ao banheiro. Para os pequeninos é complicado tomar atitudes tão diferentes, portanto primamos pelo cestinho de lixo.
maio 29th, 2010 at 3:07
sanitário e no laboratório de análises clínicas.
Portanto,o papel só é higiênico antes de usá-lo,
depois é papel CAGADO. Vaso NELE !!!!!
Ou melhor, ele no VASO !!!!!!!!!!!!
maio 29th, 2010 at 4:02
quem está orientando quem,pais ou filhos ?
Para as crianças refletirem: As fezes como o papel
são BIODEGRADÀVEIS,vamos colocar um pedaço de papel no vaso e observar. Quanto ao entupimento, quem provocaria óbviamente é a quantidade de fezes e não de papel NÃO HIGIÊNICO.
junho 26th, 2010 at 14:09