Original de Paulo Coelho vendido por R$ 640 mil
Postado por Sergio em 28 Mai 2008 em 02:51 pm | Em: Cultura
O que é arte? Funções dela, tenho comigo que entre as principais estão a de chocar, a de colocar em xeque valores tradicionais que os usos e costumes os vão deteriorando.
A arte ajuda a colocá-los por terra. A arte adianta-se no tempo.
O artista precisa ultrapassar barreiras e ousar nos limites para ser notado e ter questionada, a sua arte.
Arte como educação parece-me ter mais sentido que arte como entretenimento. Guernica, por exemplo, é educação. Andy Warhol, fez entretenimento. Pontualmente, concordo em discutir isso.
A arte é para todos mas não para qualquer um. Sua absorção por cada um varia de acordo com o grau de aceitação da evolução (ou involução, que também aceito) do homem enquanto ser cósmico.
Qual o valor da arte? Isso, quem determinada são os infectos. Van Gogh morreu na miséria. Não encontrou em vida, o valor de sua arte. Mortos, a história do artista funde-se com sua arte e a supervaloriza.
Questionar arte é o mesmo que questionar o ser humano. Seria o mesmo que meter a todos num mesmo patamar de aceitação. Se debaixo de um mesmo teto não encontramos pessoas iguais, o que dizer então, de todo o planeta?
Qualquer um metido a intelectual (eu, inclusive) pode descrever um módulo apresentado como arte. E para cada uma das descrições serão encontrados acólitos. Arte não é unânime. Pode ir do magistral à indiferença de um par de olhos para outro.
Em resumo, arte apenas é e vale.
Um leilão beneficente promovido por Sharon Stone vendeu os originais do próximo livro de Paulo Coelho, ainda sem título, por 243.000 euros, ou, 640.000 reais. Aconteceu agora, em Cannes, em pleno festival que premiou a atriz brasileira Sandra Coverloni com a Palma de Ouro.
“Coincidentemente” o romance de Paulo Coelho se passa em Cannes, durante o festival. É a primeira vez que o autor vende um original, que nada mais deve ser que uma cópia impressa do Word, sem a revisão final.
Apresentado em cara encadernação de couro e veludo, aposto.
Paulo Coelho é celebridade, mas nunca um artista. Romances como esses que escreve, devem existir centenas de autores anônimos capazes pelo mundo. Ficaram de fora desse trem porque é o tipo de coisa que só serve ao primeiro a aboletar-se.
Um rascunho do nada de um pseudo-artista, mas valeu para quem tinha o dinheiro para comprar. E agora, no seleto mundo desses negócios uma merda dessas assume o preço pago.
A partir do momento que surgir alguém disposto a pagar mais (e não importa o quão absurdo seja esse mais), será quanto passará a valer. Donde atingem valores inestimáveis.
Essa mesma gente que não titubeia um segundo em ter suas mansões integralmente revestidas com mogno e jacarandá-da-bahia. Pelo piso, ébano. Nos jardins, talvez em cerejeira para ajudar no tom suave durante o verão, quando se servem de faisões.
Depois, saem a fazer chá para arrecadar esmolas para o Greenspace e vão dormir em paz.
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