Jonny Zero é melhor que Dona Canô e seo Francisco
Postado por Sergio em 20 Jan 2008 em 07:52 pm | Em: Cultura
Quando foi a última vez que você jogou video-game com seus filhos?, pergunta o Norberto Kawakami ao final da postagem linkada.
Todos que se ocupam em ponderar sobre coisas no Brasil, sabem de antemão ou sempre chegam a conclusões conciliatórias e aconselhadoras.
Embora atuem como bálsamo atestando a existência de soluções, elas caem na generalidade do “isso serve para todos, mas poucos são para isso”.
Assim como tenho lido da necessidade dos pais educarem seus filhos para a leitura. Mas um pai que não goste de ler não ensinará isso aos filhos. Sequer irá se atinar a fazer isso. Só faz isso, a microscópica minoria dos que lêem. Eu sei, sou do meio.
Não estou dizendo com isso, que o que fazemos seja pouco ou que seja pequeno dado ao micro-universo abrangido pela mensagem, em contraposição ao universo não abrangido. (E, fato, não deixa de ser decepcionante não conseguirmos “conversar” com o público que precisaria desses aconselhamentos.)
Pelo contrário até! Isso é poesia concreta da expressão “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”, extraido do Mar Português de Fernando Pessoa. Os que se embrenham nessa selva de insanidades do quotidiano abrem clareiras cá e acolá, abrem caminhos para aqueles que virão plantando uma nova seara para que dela colham, as próximas gerações.
Piores são aqueles que se ocupam apenas da crítica. Mais piores ainda, aqueles que cuidam de eiva-la de ironia e sarcasmo, atraindo para o fato riso e diversão e, unicamente para si, a atenção. Execráveis.
Governos, sistemas e corporações há muito deixaram de ser confiáveis como reais interessados no bem comum. Ou, atenuando a retrospectiva, quedam-se cegos pela ordem: pelo imediatismo, pelo poder e pelo lucro. E uma cegueira inebriante, pois que recusa-lhes enxergar os megatons da bomba de tempo a qual armam o estopim.
“Ó gentes, voltem-se mais para os valores coletivos! O mundo que vos cerca e nutre, depende disso”, penso que já se cansou de ser bradado.
A família, esse valor legado como célula da sociedade, foi absorvida como essencial pelas religiões e pelo Direito Universal. Vazando como está entre os dedos da negligência em seus seculares valores, quem agradece é a indústria de boçalidades e os mercadores da fé.
Não tenho visto por parte de quem mais poderia fazer, excertos apológicos da família. O que fazem, são descarados cata-cornos de audiência usando o homossexualismo, o racismo ou a pantomina em novelas e bigue bróder.
Assuntem:
O SBT tem em sua programação um “enlatado”, Jonny Zero, que já vi por uma ou duas vezes. Jonny Zero é um ex-presidiário que tenta levar uma vida normal, mas sempre se encrenca devido aos seus amigos bandidos. Mais ou menos isso.
Bem, num episódio que vi, ele aprendeu alguma coisa do jogo de xadrez (imaginem o esforço…) para poder ensinar ao filho, um menino de uns oito anos. Apenas uma sugestiva mostra de perspectivas, da entrega individual por valores permanentes, contrariando tudo que poderia atestar contra suas possibilidades.
Família de verdade, só exaltamos aquelas de Dona Canô e de seo Francisco que, só seriam modelares, se o Brasil pululasse de caetanos e zezés.
E terminando essa postagem desvio os olhos para a televisão, no final do filme Tá todo mundo louco (Rate race), para ver que na terra do capitalismo selvagem eles são pródigos em evidenciar a solidariedade, contrapondo-a a egoísmos.
Bobagens? Não. O que vale, é o que fica.
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