Meu amigo, não existem fotos de Isabella morta na internet. São vírus enviados para seu e-mail, com endereços falsos. Poderão infectar sua máquina e ter suas senhas de banco, roubadas.

(Um bônus para a blogagem coletiva sobre a Inclusão digital)

E continue lendo…

Fatos de impacto negativo sobre os ânimos das pessoas passam por períodos distintos no consciente coletivo. Primeiro, o choque. As pessoas querem saber como, quem, quando, onde e porquê.

Satisfeito esse ímpeto, vem o do rescaldo, quando entra em ação o grupo perscrutador dos restos desse incêndio mediático.

Como tratamos de tragédias que envolvem vidas, é despertado um furor por fotos. O primeiro que me vem na lembrança, foi o de fotos dos Mamonas Assassinas, estou certo?

Passaram-se outros e chegamos agora, ao caso Isabella. Eu recebi um e-mail convidando para visitar uma comunidade do Orkut sobre isso. Desnecessário lembrar que o endereço era falso, levava para um provedor que hospedava um arquivo suspeito, provavelmente, algum trojan para roubar senhas de bancos.

Depois de ler no feeds essa postagem do mestre blogueiro, foi para reparar um enfoque diferente do que me ocorre: donde a vontade de ver uma criança morta no necrotério?

Minha resposta é mais cultural que um momento passional. Essa postagem do Obvius (e, para quem quiser saber mais, tem um link para um PDF em meio aos comentários) remete para o hábito religioso cultural de se fotografar crianças mortas.

Até onde isso chegou aos nossos tempos? Para mim, é fácil responder. Como já vos disse, moro numa pioneira região canavieira de São Paulo onde hoje, 1/3 da população é de origem nordestina. Foram as primeiras levas que criaram raízes pela fartura de oferta de empregos.

Em meu tempo de menino, era comum pessoas receberem fotos de seus mortos no caixão. Dado a distância, não teriam mesmo como chegar a tempo do enterro. Esperavam ansiosos pelas fotos e as adoravam, sem que houvesse nisso, nenhum sentimento mórbido.

Seria mais, o conforto de uma participação no velório, o compartilhar da dor dos que estiveram presentes. Uns, até emolduravam essas fotos.

Por isso não digo que todos o que saem à cata de fotos assim, em específico, sejam eles uns degenerados mórbidos. Alguns, sim, certamente.

Onde entra aquela minha definição para o valor cultural: uma herança não biológica.

 

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