Acesso à universidade pública é meritório e não adjutório, dizem uns. É preciso dar status diferenciado para os diferentes, dizem outros.

Dos inúmeros tópicos contrários e favoráveis, tomo um de cada lado:

Pelo NÃO, argumentam que as cotas irão recrudescer o preconceito. Pelo SIM, lembram a sociedade norte-americana onde o preconceito é acentuado, mas o que importa é que lá os afro-descendentes (01) ascenderam socialmente.

Já fui contra as cotas, exatamente por achar que elas recrudesceriam preconceitos. Depois, repensei: não podemos esperar mais quinhentos anos para que os preconceitos deixem de existir, que a igualdade social se instale e todos desfrutem das mesmas oportunidades.

A universidade pública, ironicamente, é para ricos que têm dinheiro para preparar-se para seus vestibulares. Branco pobre já conta com poucas chances. Mestiços e negros pobres então, são duplamente segregados.

Na verdade, não existe um “melhor jeito” de cuidar da questão. Como do jeito que estava não podia indefinidamente permanecer, passei a aplaudir a medida.

Hoje sou ferrenho defensor das cotas para grupos distintos nas universidades. Penso que ela será uma fonte de integração, mesmo que passando por um período de moldagem imprevisível no formato e no tempo-espaço. Mas vira. Barack Obama é prova histórica disso.

As tais cotas estão, como elemento inserido no processo evolutivo da sociedade brasileira, a somar-se com outros de ordem educacional, social, econômico e político. Às duras penas, lentamente conquistados.

O Google registra 80.000 links com a citação cotas para negros nas universides. 80.001 agora, mas muito pouco ainda para um assunto de tamanha relevância.

(01) - Não gosto do termo afro-descendente muito usado nos USA, feito para perpetuar a segregação. Sou um incorrigível humanista e nacionalista. Somos TODOS brasileiros. Ponto.

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