Carnaval e a brasilização do mundo

Giuliano da EmpoliO carnaval tem muito de representação, de encenação em si. Eu ouvia o prof. Juremir descrevendo os reality shows como o estado extremo da democracia: a democracia radical, em que os idiotas podem se tornar as estrelas.

Claro, a real TV e o exibicionismo das massas são uma evolução do processo democrático. Denota uma participação crescente, um desejo de estar no centro das atenções. Não sou mais um voto ou participante ― a estrela sou eu. Mas creio que se trata mais de algo ligado a um processo da comunicação do que de democratização.

Somos bombardeados por tantas informações, por tantas imagens e estímulos solicitando a nossa atenção, que desejamos ter a atenção voltada para nós.

É uma overdose, tanto bombardeio de sinais, que as pessoas ficam fartas ― e decidem: agora é minha vez de chamar a atenção, sou eu que vou entrar em cena.

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O texto acima é de um jovem sociólogo italiano (34 anos, foto), Giuliano de Empoli, contido em sua obra “Hedonismo e medo: o futuro brasileiro do mundo“. Pela amostragem, nem preciso dizer o quão interessante é.

Faço algumas reservas ao lido, mas nada pondero para não polemizar e complicar uma leitura que, por si só, vale pelo aprofundamento na matéria. Mesmo que você não goste nada do tema, leia. O texto contém observações pontuais enriquecedoras.

Encontrei o “A brasilização do mundo” no excelente Digestivo Cultural e depois, mais um pouco no Terra Magazine.

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