Sopa de lágrimas
Postado por Sergio em 15 Ago 2007 em 11:04 pm | Em: Crônicas
O relógio marcava 17:30min. Quando o telefone tocou, a mulher já sabia quem era.
Atendeu. Um largo sorriso iluminava-lhe o semblante.
“Mãe? Faz pra mim aquela sopinha que só você sabe fazer tão bem?”
Olhos brilhantes de satisfação, a mulher aquiesceu feliz. Tão logo desligou, pôs-se a separar os ingredientes para a sopa.
Sorriu novamente. Ainda “ouvia” a voz do filho. Por volta das 18:30 ligou a tv enquanto cozinhava. O silêncio da casa foi quebrado pelo som de gritos e sirenes.
Eram 19hs. Imensas labaredas lambiam as paredes do prédio em que o Airbus da Tam se chocou. Explosões sucessivas aumentavam as chamas. Gigantescas cortinas de fumaça negra dificultavam a visão dos bombeiros. Horrorizada, pensou no filho e sentiu um forte aperto no coração. Grossas lágrimas saltavam-lhe dos olhos e caiam diretamente na sopa que, num gesto mecânico, ela ainda mexia.
Seguiu-se outra explosão e o fogo tomou conta de todo o prédio onde seu filho trabalhava.
Correu para o telefone e, trêmula, discou o número do rapaz. Um apito, nada mais.
Tresloucada, ganhou as ruas, correndo sem rumo. Os vizinhos bem que tentaram, mas não conseguiram detê-la. Através da porta aberta, quem passasse podia ouvir a tv ligada.
No fogão, a sopa fria…
De Miriam Panighel Carvalho, de São Paulo - SP
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Olá, Afonso!
Sim. Na verdade, o meu texto foi baseado numa frase do pai de uma das vítimas do acidente da TAM, ocorrido dia 17/07/07. Ouvia o depoimento de um senhor que, chorando, dizia ter o filho telefonado para a mãe e pedido a ela que fizesse a sopa que ele gostava para o jantar.”e a sopa ficou lá…” termina, num pranto desesperador, o entrevistado. A dor que assolava sua alma foi tão intensa que eu mesma a senti. E resolvi criar o texto. Um preito em homenagem a esse pai e a todos os parentes das vítimas dessa fatalidade. Aproveito para postar um Haikai, também sobre o assunto em questão. Veja assim que for publicado e, se puder, comente…Acho ótimo receber críticas, ainda que não gostem do que escrevo. Crítica é crítica. Quem escreve está se expondo a ser rechassado ou aprovado. É aquele velho chavão ” quem sai na chuva é para se molhar”…
Um abraço e apareça sempre!
Miriam Panighel Carvalho
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mesmo sem ter passado por uma situação dessas me coloco no luga desses pais; sinto a dor que jamais quero sentir; a da perda de um filho.
nós viemos ao mundo pra gerar vida e não pra vê-las sendo seifadas…
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