Vem lá do Gabiru um convite para falar sobre crianças, seu dia, os presentes…

Pôxa, Gabiru, como pode imaginar que sou autoridade para isso?

“Criança, só existe uma no mundo. Mas com muitas faces” (1).

Acho que envelheci demais com o mundo. Ou talvez, já nasci envelhecido, sem nunca ter sido criança.

Mas, que grande demérito é esse para uma personalidade, quando vivemos hoje de maneira que só a poucos cabe o privilégio de ser criança?

Não temos mais os campinhos de bola, os córregos para nadar, capoeiras para caçar rolinhas e nhambús…

E os “tempos” de brincadeiras, então?

A molecada é que fazia o “tempo de pião”, “tempo de papagaios”, “tempo de bolinhas de gude”…

Tempo de brincadeiras ao ar livre e tempo de brincadeiras em casa. Com tempo chuvoso, era jogo de tômbolas, o “bafo”, a troca de figurinhas e gibis.

Que tempo de criança é hoje, com indiozinhos morrendo às pencas, filhos de favelados já nascendo “avião” do tráfico de drogas, crianças africanas que tornam-se gravetos em ossos e as palestinas, iraquianas e israelenses que explodem ou são explodidas?

Qual criança então, se pelo centro das grandes cidades matam-se cheirando cola, “pipando” crack?

Quando não, portando um trezoitão. Ou prostituindo-se em balneários mostrando a verdadeira face de todo e qualquer político?

Ah, Gabiru… sei falar de presente para o Dia da Criança não… Desculpa.

(1) - Adaptado de frase que vi, acho que no filme, a “Ultima tentação de Cristo”.

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