Conserve seu medo
Postado por Sergio em 27 Jul 2007 em 07:11 pm | Em: Crônicas
Conserve seu medo é uma música de Raul Seixas, com um balanço dos mais ritmicos de sua obra. Faz tempo já, encontrei um bom modelo físico para enquadrar em partes da letra dessa música, com relação ao relacionamento humano, notadamente a amizade.
Conservar o medo num relacionamento, é a medida no tempo e no espaço para seu aprofundamento, ou seja, nunca entre “de cabeça” em nenhum deles. E o modelo físico legal que achei para exemplificar isso, é a casa onde mora minha irmã, a Bete.
Acho-a perfeita para isso. Vejam, é uma casa de esquina que, de um lado da rua o muro a encobre quase até o telhado. E de outro, mal dá para ver as janelas. Não que seja um casarão, é o terreno que favorece isso. Ou seja, uma total privacidade para quem passe pela rua. Do lado de dentro dos muros, é possivel vislumbrar a rua.
Os entregadores (gaz, água, pizzas, etc…) são recepcionados de uma área que não é possivel nem imaginar o que há além dali. Dá pequena área da sala, nada também. Já na sala, a pessoa tem visão e acesso apenas a um lavabo e, se for convidada a sentar-se, tem também uma visão da sala de jantar.
Na sala de jantar, não é possivel ver a cozinha nem os corredor dos quartos, que tem acesso tanto pela sala de jantar como pela cozinha. Na cozinha, não se tem visão da sala de jantar nem do corredor dos quartos. E, no corredor dos quartos, não se tem visão do quarto do casal, só a porta dos demais quartos. Na suite do casal, não tem como ver onde é o banheiro.
E tudo isso, como poucas portas, só as essenciais mesmo. Só lhe é possível perceber as dependências se for dado um passo além do programado pelo arquiteto.
O que vi nisso? Um ralacionamento de amizade. As vezes, um amigo pode nos decepcionar, mas a falta não é o bastante grave para que seja expulso de “casa”. Ele pode perder o acesso a níveis superiores numa relação de amizade, até ser permitido seu acesso só até a área de “entregadores”.
Inspirou-me a escrever isso hoje, um e-mail de uma pessoa muito querida, que disse ter, digamos, se assustado com o que sou. Adoro ela (embora lembre que ela nunca gostou do “adora” …. “Quem se adora é Deus”, dizia ela…). Ela sempre encantou-me e fico feliz com sua passadinha pelo blog vez em quando e um mail de, digamos, “sala de estar ainda sem o convite para sentar”.
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