O filme Tropa de elite teve os contratempos em sua produção e distribuição por benesse cósmica, algum crédito cármico de alguém nele envolvido. Até talvez, de toda nação brasileira.

Sim, pois sem isso não teria maximizada sua divulgação como o foi. E todos precisavam ver desmascarada essa matrix carioca que envolve alguns segmentos sociais.

Ela forma um sistema econômico e social cuja origem e manutenção encontra-se, absurdamente, nas cafungadas dos endinheirados.

Na matrix, toda e qualquer expressão fica perdida no limbo das generalidades não explicadas e por isso, que adianta dizer que sua existência passa também pela “omissão do estado”?

O que é isso senão mais uma porra de entidade abstrata, se não detalhadamente esmiuçada em teses?

E o filme detalha fatos e defende sua tese. De tudo que foi mostrado no filme, pouco dali não é conhecido. Passeatas de hipócritas cafungadores pela não violência, promiscuidade entre traficantes e a burguesia, a política buscando votos no caos e a polícia corporativa acima do bem ou do mal: desejar ser policial, é almejar viver do tráfico de influências.

O que talvez seja novidade, é como são feitos ingressos e treinamentos no BOPE. Será mesmo, ou está ali o nicho de ficção do filme? Não sei, só estou perguntando para quem souber.

O enredo é simples mas bem costurado, dispondo do essencial em elementos e tramas para compreensão da mensagem: “Até quando?”.

Se o “Basta!” for o de governantes, ficará restrito ao “Basta!” retórico.

Qual o “Basta!” que funciona?

Dinheiro, muito dinheiro, mas muito, muito dinheiro mesmo.

Drogas movimentam muito dinheiro e só se combate dinheiro, com dinheiro. Muito dinheiro com assistência às favelas, muito dinheiro para combater o tráfego de drogas e armas, muito dinheiro para sanear a polícia carioca e pagar salários dignos, muito dinheiro para…

É tanto dinheiro, que ninguém tem. Resta então ao cidadão de bem torcer para o BOPE, que nutre e atira com o mesmo desprezo em traficantes e policiais corruptos.

Não é a opção mais civilizada mas quem se importa mais com isso?

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