O Último dos Moicanos
Por mais de uma vez “peguei” o filme O ÚItimo dos Moicanos na madrugada da Globo. E sempre o vejo. Gosto muito de locações em florestas de verdade, cenário rupestre da floresta temperada, campos e cascatas em montanhas escarpadas.
Resquícios do colonialismo cultural em mim, geração devoradora dos gibis (ou, para os posteriores, HQ) da EBAL.
EBAL era a Editora Brasil América Ltda, que está para os quadrinhos no Brasil, assim como estão a Vera Cruz e a Atlântida para o Cinema.
Gibis com estórias de Daniel Boone e Davy Crockett, para ser mais específico. Como podem ver, com a cara de O Último dos Moicanos, pelo espaço-tempo.
Já viu o filme? Aposto que sim, é antigo, de 1992. Daniel Day-Lewis (Nathanaiel) e Madeleine Stowe (Cora) formam o casal romântico principal (casal romântico é difícil, hem?) mas o apreciador do Cinema verá que não está neles o centro psicológico, a moldura principal de seu quadro de amor.
Ele está em Steven Waddington (Major Duncan Heyward), personagem que forma no triângulo amoroso.
O Major Duncan “dá em cima” de Cora desde sempre. A moça é filha do importante Coronel Edmund Munro, e assim, um partidão para as ambições do jovem oficial.
Cena um:
Numa cena de galanteio oitocentista, o Major Duncan (pela milésima vez aposto) reafirma seu amor pela moça, relembra a aprovação do pai pelo enlace de ambos.
Ela não o ama e naquele mundo novo, liberta dos ares da corte inglesa, a moça reluta em aceitar um casamento nos moldes tradicionais, onde a aprovação do pai é o bastante para o interessado consorte.
Ele, no entanto, consegue dela a promessa de pensar no assunto, aquela promessa que enxergam os enamorados, como o combustível que manterá acesa as esperanças, que permitirá uma trégua até uma futura refrega.
Cena dois:
Cora quer que se sepultem os corpos de uma família de colonos mortos pelos índios. Nathanaiel ordena o contrário, devem seguir caminho. O Major Duncan exime-se da cena, não sai em defesa das convicções cristãs da moça. Certamente, quer também sair dali o mais cedo possível.
Cena três:
No forte defendido pelo pai de Cora, Nathanaiel advoga pelos colonos ingleses que defendem o forte, que devem ser liberados para defender suas famílias. O Coronel não pensa em liberá-los por acreditar que o acontecido, a chacina presenciada, foi uma ação isolada.
O Major Duncan, claro, usa de seu crédito como oficial e corrobora a versão do pretendido sogro. Duncan fica mal aos olhos de Cora com isso.
Cena quatro:
Nahanaiel é digno de crédito dos colonos e esses articulam abandonar o forte para proteger suas famílias. Nathanaiel é preso por traição, não sem antes o Major Duncan “jogar na cara” de Cora, na presença do pai e outros oficiais, em despeito, que ela está “perdidamente apaixonada” (sic) pelo “traidor” e assim, o defende.
Cena cinco:
O Major Duncan avista-se com Cora e recebe um NÃO definitivo para suas pretensões casamenteiras. Ela estava amando Nathanaiel e, não fosse isso, extremamente desapontada com o Major por sua sabujice ao pai, sua submissão aos valores tradicionais da corte inglesa.
Cena seis:
Fugindo do ataque índio em uma canoa com Cora, a irmã dela, seu pai e irmão, adotivos, Nathanaiel vê-se ameaçado por uma pistola empunhada pelo Major Duncan, também no lago remando para a fuga, em outra canoa.
Nathanaiel ironiza o oficial (“Poderia estar fazendo coisas mais agradáveis nesse lago, Major”) sem sequer mover a cabeça ou desviar-se da atenção na força que imprimia ao remo, na fuga com sua preciosa carga.
Cena sete:
Cora seria queimada na fogueira da tribo. Nathanaiel se oferece como troca, um guerreiro valoroso é troféu melhor que a filha de um inimigo.
Os índios aceitam, mas ao traduzir para o francês entendido pelo chefe, o Major Duncan ludibria Nathanaiel e fica ele, Duncan, para ser queimado na fogueira.
O que fez ele, qual era sua intenção? Frustrar o ato de heroísmo do rival ante os olhos de Cora?
Nathanaiel morto, não significaria a conquista de Cora. E, conquistar Cora para quê, se seu melhor legado, o poder do Coronel Munro não mais existia, estava morto pelo indios.
Duncan amava mesmo a Cora, a ponto de sacrificar sua vida por sua felicidade nos braços do rival?
Numa próxima olhada no filme prometo não sair para mijar nem tomar café. Vou observar atentante para chegar, nessa última cena, e saber melhor o que estaria pretendendo o Major Duncan.
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setembro 7th, 2008 at 0:06
Mudando de assunto, aquela foto do polvo de salsicha apareceu ontem no programa Mestre Cuca da CNT.
Dois programas de TV. È o Trivial tá ficando famoso.
Um grande abraço
março 21st, 2009 at 7:28