Na falta de uma BBB9, tome lá uma ANOS 80

Lucinda Dickey

A gata ai de cima com jeitão (ou carinha de, conforme prefira…) de atualmente obesa é Lucinda Dickey, atriz dos anos oitenta do cinema norte-americano.

Bem, a verdade é que esse jeito angelical de mulher surgiu em minha mente por nada de atual eu ter para postar e saciar a febre dos dedos (bem, tem a pernuda Priscila do BBB9 que acaba de passar no Fantástico… deixe estar).

Ao assunto, então.

Quando Raul Seixas cantou em Anos 80,

Hey! Anos 80!
Charrete que perdeu o condutor
Hey! Anos 80!
Melancolia e promessas de amor
Melancolia e promessas de amor…

está nítido seu registro de uma década em que as coisas buscavam uma nova ordem, uma auto-identificação.

Com exceção de nosso futebol – em que todos nossos craques jogavam por aqui, ainda – de resto tínhamos saído e então pagando as contas do falso milagre econômico dos anos setenta.

Tínhamos que conviver com meia dúzia de modelos de carros nacionais como opção de consumo (importações eram virtualmente proibidas pela super taxação), as melhores zonas haviam sido absorvidas – e assim, extintas – pelas cidades e as meninas… Bem, as meninas até que já davam mas só quando o cara fosse seu namorado com uns três meses de marcação de ponto.

Como podem ver, um período de limbo existencialista por aqui.

E não só por aqui, o mundo todo estava assim. Assim como filósofos mapearam a humanidade em seu momento orientando comportamentos, nas Artes ficou o registro de muitas dessas mutações. E os limbos, é claro.

E o que um filme classe Z como Ninja 3 – A denominação (com Lucinda Dickey, claro) tem a ver com isso?

Tem a ver que nele foi o que muito do comportamento de época. Alguns decifráveis outros não.

Como eu disse, é um filme classe Z, mas não significa que seja de todo perdido. Primeiro, tem a Lucinda no auge da forma.

Nele tem sessões de exorcismo que remetem ao O exorcista (William Peter Blatty) com trucagens de maquiagem e jogos de luzes que bastam para caracterizar Lucinda obsediada.

Tem a febre da dança aeróbica e uma performance de Lucinda que chegou a inspirar um filme comercial da Panasonic (presumo) para a televisão (procurei filme mas não encontrei).

Tem japonês ninja, japonês espírito de porco e luta de ninjas com espadas. Tem um final típico de filme japonês de televisão de categoria ZZ, mas que fica bom e coerente, de tão ruim que é. Só vendo.

Tem morte de policiais americanos de uniformes pretos. Acho que uns vinte são mortos numa única cena, um a um. Norte-americano deve ter algum bloqueio com policiais, pois o que matavam deles em seus filmes de ação, é de se fazer notar.

Tem, no caso da morte dos policiais, o japonês-ninja-zumbi que mata aqueles quase vinte que falei acima, com aquelas estrelinhas que atiram com pose.

Olha… resumindo: misture Bruce Lee, O exorcista, Embalos de Sábado à Noite, Duelo ao entardecer com algum seriado da tarde japonês de televisão  quando rodam cenas de ação em terreno poeirento, e me diga se não é interessante ver.

O interessante é que esse é Ninja 3 e não me recordo de anteriores. Melhor, estou certo que não cheguei a ver, caso existam.

Aaaaaaah sim! Tem também uma tantada de James Bond. Espie o vídeo abaixo e confirme:

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