Morre Beto Carrero, o Roy Rogers tupiniquim
Postado por Sergio em 01 Fev 2008 em 03:54 pm | Em: Cinema
Beto Carrero foi um dos precursores da mídia de marca inteligente no Brasil.
Quem viu, duvido que tenha já esquecido do estilizado cowboy montando um cavalo empinado, configurado com som e imagens sugestivamente feitos com raio laser, em drops televisivos.
E o seu desfecho em voz cantada por um coral: Beto Carrero!
(João Batista) Sérgio Murad é seu nome de batismo e confesso que experimentei duas emoções quando disso soube.
A primeira, de decepção por saber que Beto Carrero não era nome real. O que dá noção do grau de envolvimento que tive com a aura da personagem.
Minha geração cresceu vendo filmes de mocinhos, bandidos, índios selvagem e lendo deles, histórias em quadrinhos da Ebal. O espírito de aventura e de liberdade, era por isso representado: pelo herói que se dá bem. Sempre.
E, Beto Carrero, era nome genialmente cunhado, milimetricamente perfeito para a
personagem conseguir de imediato, sua identificação. Simplesmente unindo o comum Beto ao campesino Carrero, tínhamos o cowboy brasileiro sem nome estrangeiro.
Beto Carrero foi a proximidade com o herói cowboy do imaginário de uma geração.
A segunda emoção, foi de orgulho, por ser ele meu xará. Bobagem? Não para quem não tinha ainda, um xará famoso. Foi o primeiro xará famoso que tive.
Mas, legal mesmo, era quando o xará é famoso com o mesmo nome seu. Daí, sempre sobrava uma rabeira na magia de sua popularidade. Atualmente, isso não tem mais valor. Avacalharam com a boa fama.
Sonhador, empresário, visionário, eu o vi quando da primeira entrevista na televisão anunciando o seu parque temático Beto Carrero World (”uoridi“, como me parecia ouvir dito por ele, com seu sotaque de caipira paulista). O empreendimento consolidou-se como multi-temático, agregando às atrações de dublês, muitos brinquedos e artistas circenses.
O sonho de menino, interpretar o Zorro em circos, foi um estágio rapidamente transposto ou esquecido. Melhor Roy Rogers, pelas vestimentas mais afeitas a firulas e adereços, como mostram as fotos acima, recheadas da mistura de símbolos e elementos.
Ou então, como mais um modelo inspirador. Afinal, Roy Rogers foi personagem que existiu em carne e osso e de sucesso empresarial.
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Gibizeiro também, né? rs… Brinquei muito de mocinho e bandidos, meu camarada.
Mas é tudo sério o que escrevi. Estava no pc com a televisão ligada quando soube da notícia. A postagem saiu rapidinho porque eu já tinha essa analogia dele com o Roy Rogers, fazia tempo.
Roy Rogers era personagem do cantor Leonard Franklin Slye, que como Beto Carreiro, quase ninguém sabia o nome verdadeiro.
Como Roy Rogers, Leonard com o cinema levou a música country para a classe média americana. Para nós aqui do Brasil, ele nunca apareceu como cantor, mas como uma personagem fictícia de filme e gibi apenas.
Beto Carreiro tinha sonhos mais modestos, o circo e o Zorro. Mas a competência e a determinação o levou mais longe. Foi radialista, vendia propaganda da rádio e daí, passou a ser dono de uma agência de publicidade. Acho até, que ele foi publicitário sem cursar uma universidade.
Mas, como sempre soube onde queria chegar, e muito inteligente, chegou lá.
Quando o sonho possível de fazer um Zorro chegou, a idéia já devia estar ultrapassada. Zorro seria uma personagem muito limitada: roupa preta e máscara.
Já o Roy (Leonard) se apresentava nos rodeios, com aquelas roupas cheias couro desfiadas, adereços de latão, etc…
Já o cavalo branco, o de Roy se chamava Trigger. O de Beto, tinha que ser um nome comum, nacional: Faísca.
E, sobre a propaganda dele na televisão, foi a primeira que vi uma marca fazer-se primeiro, para depois dar as caras para o público de massa.
Quando Beto Carrero apareceu em programas de televisão, o nome já era conhecido e despertava curiosidade.
Alías, a publicidade de apresentação foi também para sua grife, uma coisa muito novidadesca na época: criar uma marca a partir do vazio, apenas com o investimento em sua visibilidade. Acho que ele foi o primeiro a fazer isso.
A Beto Carrero World, veio bem depois, com a marca consolidada.
Entrou para a televisão,ficou sócio do Gugu Liberato em vários empreendimentos, mas sempre manteve sua presença no circo, pois dali provinha a força de sua marca.
Abração!
Sérgio
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Parabéns também ao outro Sérgio com um comentário esclarece
dor.Creio que você ou vocês são publicitários (não tenho tempo ou vontade para averiguar agora),denota a já muito renomada inteligência dos profissionais nacionais da área.
Continuem dignificando o que há de valor.Com apreço,
Silvino S. Kanzler Neto
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