Legalização das drogas e o filme Tropa de Elite
Postado por Sergio em 02 Mar 2008 em 03:15 pm | Em: Cinema
A polêmica em torno do filme Tropa de Elite “pegou” seu diretor José Padilha, e o ator principal Wagner Moura, sem um discurso apropriado.
E em nada definitivo e convincente para alusões a violência policial, tidas como apológicas no filme.
Nessas, sai-se José Padilha da “sinuca de bico” proclamando um posicionamento favorável à liberalização das drogas no Brasil.
Wagner Moura então, pobrezinho, das vezes que o vi “apertado” com isso, sequer tinha um discurso. Depois, não sei se adotou o mesmo do chefe.
A idéia central em torno da liberalização das drogas seria o fim do tráfico e com ele, dos crimes, violência e corrupção advindos.
Mas defendê-la assim, apenas com um proverbial “Saida pela esquerda!” (Leão da Montanha, Hanna Barbera… é, vi muito desenho animado sim) soa artificial demais para meu gosto. E irresponsável, pela ausência de argumentos. (01)
E só não é mais irresponsável, porque José Padilha não tem estatura para levantar essa bola e iniciar uma discussão sobre o tema. E, a bem da verdade, como ele não pretendeu levantar essa bandeira, pouco se dá se falar para o vazio.
O que ele quer, é um discurso pretensamente políticamente correto e que o livre dos embaraços com explicações intelectualizadas, engajadas, tão ao gosto dos críticos.
E, desastrosamente para ele, isso denuncia uma ausência de conteúdo ideológico no diretor. E, sem esse conteúdo, Tropa de Elite ficará (podem apostar) remetida aos status de obra do acaso, fruto da sorte.
José Padilha não repetirá o sucesso porque não tem conteúdo ideológico para produzir outro filme de sucesso. Assim, simples.
Se no cartaz de sua próxima produção surgir o famigerado “do mesmo diretor de Tropa de Elite“, podem apostar até mais. Nem eles próprios estarão confiando no sucesso autóctene da produção.
Em bom cinema, é como no futebol: o que importa é o que está para ser feito. Nomes e currículos vendem filmes, mas ninguém quer sair decepcionado da sala de exibição.
Voltando ao ponto, primeiro que não existe no Brasil uma discussão pública a respeito da liberalização das drogas. O revigorado Fantástico não saiu a entrevistar os moradores dos morros perguntando “O que você acha da liberalização das drogas?”, saiu?
Daí sim, eu chamaria como discussão pública. Enquanto for (se é, não sei…) um anteprojeto no Congresso Nacional perdido no limbo da falta de assinaturas para ir à pauta, ele não existe.
Em segundo, sempre quando nisso falam o país que vem à mente é a Holanda. Mas lá, até onde eu sei nem é liberalização, mas sim, despenalização. Certamente, um estágio inferior, uma espécie de fase probatória. O olhem que isso faz tempo e se a educada sociedade holandesa ainda não aprovou, deve ser porque ainda não convenceu.
E a Holanda é um país pequeno, rico e educado. Não serve como parâmetro para o Brasil.
Aqui, foi preciso uma Amazônia lancinar em sua agonia para se montar uma força tarefa da Polícia Federal contra os madeireiros. Um decreto presidencial tornou ilegal o jogo de azar e a televisão não passa um mês sem denunciar pontos clandestinos de jogos eletrônicos.
Acham então, que o império das drogas seria simplesmente desativado? Não! Ele aprimoraria o delivery e encontraria formas de seviciar nossos jovens e crianças, formando seus futuros clientes.
José Padilha, cala a boca, animal!
(01) - E eu, critico e não tenho argumentos? Tenho sim, numa única palavra: Educação.
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Infelizmente ele não apresentou a sua idéia no filme, ou ao menos não de forma clara. Sua opinião pessoal é a favor da legalização, divergindo do que ele prega às massas com seu longa, onde ele promove o fim do consumo como único meio de cortar o financiamento do crime organizado. A posição tomada pelo público geralmente é burra e superficial, e não podemos esperar que esta maioria encontre o erro da proposta do filme depois de uma tempestade de apologia à violência. Esse sim é o ponto no qual esse texto deveria abordar, o paradoxo entre a mensagem que ele deveria passar e a que ele passou (considerando a opinião dele sobre o assunto).
Qual sua base para dizer que o homem não tem estudo o suficiente para defender a legalização? É uma postura muito correta, ao meu ver, sobre tudo isso. Acredito que falta-lhe informação quando você afirma que
não existe no Brasil uma discussão pública a respeito da liberalização das drogas. Existe sim, e das mais calorosas. O grande problema é o muro criado principalmente pela religião e os meios ditos “éticos” que insistem em evitar até mesmo estudos com relação a isto, e infelizmente as coisas não tomam nenhuma continuidade relevante. Enquanto a maioria do país não passar por um ensino básico e médio de qualidade, será impossível passar essa idéia da mente de idealistas para a realidade.
Qual o seu interesse em manter a proibição das drogas? Qual o interesse da sociedade nisso?
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Sergio respondeu em Março 10th, 2008 2:39:
Obrigado por sua participação nessa postagem. E parabéns pela lucidez sobre o filme. Minha crítica é pela ausência de argumentos do diretor em seu palpite. Eu, ao contrário, argumentei os pontos negativos que conheço com respeito a liberalização, o que não significa que veja algo evolutivo em proibir.
E, por fim, concordo que sem antes cuidar da Educação, fica difícil uma abordagem conscientizadora. Na verdade, sempre qualquer discussão irá afunilar para essa base: Educação.
Abs!
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