James Cagney, Joe Pesce & Cia

James Cagney foi um ator tipo Joe Pesce. Associo ambos por serem baixos e terem feito tipos marcantes como gângsteres sangue ruim, irascíveis, invocados, que metiam bala por um olhar torto.

Num de seus clássicos, acho que em “Dead End Kids”, o final do filme é antológico.

Cagney como um corajoso bandido e assassino, é herói venerado pelos jovens desajustados. No final do filme, prestes a ser executado na cadeira elétrica, ele permanece provocador: iria morrer como o maior herói dos jovens.

Um amigo de longa data, agora um sacerdote, implora a ele, “para o bem dos meninos”, para fingir covardia.

Assim, ele perderia sua moral com a molecada, esperava o sacerdote, inibindo-as de seguir o seu exemplo.

Sempre provocador, ele permanece durão até o final, quando toma a iniciativa de caminhar ao longo do corredor da morte, para a cadeira elétrica.

Daí, há o corte da cena e só aparece sua sombra sendo levado pela força por dois guardas. Ele está lutando, gritando e chorando: “Eu não quero morrer! Eu não quero morrer!”, finalmente indo para sua morte como um covarde.

O filme termina sem que o espectador fique sabendo se era de verdade sua covardia ou se atendia o comovente pedido do querido amigo sacerdote: fingir medo para desencorajar os meninos para a vida do crime.

Porque lembrei disso?

Pelo filão agora explorado pela televisão, de seriados idealizando os chefes do crime. Por mais que os matem no final, morrerão como heróis para crianças em situação de risco social.

Duas postagens, seguidas, com “risco social”? Esse é o blogue da Unicef?

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