Poemas
Arquivo no Assunto
Arquivo no Assunto
Postado por Sergio on 12 Jul 2008 | Em: Poemas
“Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda”
Cecília Meirelles
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Postado por Sergio on 05 Abr 2008 | Em: Poemas
Oye, hijo mío, el silencio.
Es un silencio ondulado,
un silencio,
donde resbalan valles y ecos
y que inclinan las frentes
hacia el suelo.
***
Lula politiqueia pelos palanques, Cesar Maia pede ao Senhor do Bom Fim que leve o mosquito da dengue para o mar, Brasilia se debate com seus dossiêgates e enquanto isso… enquanto isso… a dengue mata no Rio de Janeiro. Esse silêncio, ceifa sonhos.
Como um lamento, não sei porque, até mim veio Lorca. Silêncio! E até a dengue do ano que vem.
Postado por Sergio on 30 Mar 2008 | Em: Poemas
A poesia concreta pode não ser uma das formas de expressões mais apreciadas mas o que poucos sabem, é que mesmo sem consciência, raramente alguém (você?) não venha um dia a construir um poema concreto. Ou até, já o tenha construído.
Eu próprio, construí vários. Mas todos na era pré informática e eles ficaram perdidos por anotações e bordas de cadernos. Com exceção de um:
Carro nosso
Carroça
Carro russo
Carroça
Carro nosso
Encontrei hoje, por acaso, fuçando num HD que estava no PC anterior a esse. Nem é muito criativo mas é representativo para a época. O que, alias, para ser entendido, só mesmo explicando qual fato da época o inspirou.
Existiu por longos e tristes anos do Brasil uma tal reserva de mercado para alguns produtos nacionais. Essa proteção impedia a concorrência de similares importados em nosso mercado, o que atrasou sobremaneira o desenvolvimento da indústria automobilística e de informática, as mais notáveis.
Fernando Collor de Mello, ainda candidato à presidência da República, declarara que “os carros nacionais eram carroças” e nós bem sabemos o que significa esse dizer. Eleito, uma das suas poucas ações positivas foi abrir o mercado nacional para a informática e indústria automobilística estrangeira.
Na área de informática, o que se fazia no Brasil é o que pode ser visto no museu. Na automobilística, tínhamos no país apenas as montadoras da Ford, GM, Volkswagen e Fiat em atividade. E seus poucos modelos de autos à escolha do consumidor.
Importar carros americanos e europeus com o dólar caro da época, nem pensar. Sem contar que carros americanos, tradicionalmente, são potentes e beberrões de gasolina. O europeus, se mais econômicos no consumo, eram também fora dos padrões para a bolsa nacional. Japoneses, idem a esses últimos.
E os “tigres asiáticos” (Coréia do Sul, principalmente) não eram ainda a potência automobilística que se revelou um pouco depois, ainda nos anos noventa.
Restavam os russos de uma União Soviética que se fragmentava e precisando “fazer dólares” para sua balança comercial desequilibrada por ávidas importações, as necessárias para sua adequação ao mundo da livre iniciativa. Como sabemos, multi-milionários e máfias locais surgiram desse período.
Bem, vai daí que a primeira “leva” de importados eram os russos da fábrica Lada: carros Laika e Samara, e jipes Niva, tecnológicamente tão antiquados quanto nossas “carroças” nacionais. Mais “carroças” então. Releia agora, o poema.
Postado por Sergio on 14 Mar 2008 | Em: Poemas
O brinde
Um brinde
À agonia sobre-humana
Da aceitação da tristeza
Da procura às cegas
Da fluência convulsiva
Do gosto obsessivo
Da razão atípica
De crueldade horrendas
Sobriedade extrema
Desespero metafísico
Angústia maldita
Bendito o desassossego
que efetiva a vida!
O poema “O brinde” é de Suyan Melo e tem uma história. Nos primórdios do Clube Amigos das Letras, no tempo do ICQ e conexão discada a pulso único, eu ficava madrugadas afora com autores orientando estilos e macetes na construção literária de textos curtos.
Suyan mostrou-me esse poemeto e interferi apenas no título e na primeira estrofe, de forma que levasse o leitor a uma compreensão imediata de seu inteiro teor. Contista em fase “rodriguiana” que ela estava, disse-lhe para amenizar o grau de complexidade em suas criações para abranger o alvo do Clube Amigos das Letras: os iniciantes na leitura.
Esse poemeto foi depois enviado por ela para um concurso literário, Poesia no Ônibus (Santa Catarina) e ela faturou com ele, um dos primeiros lugares. Agora, quando estávamos revisando “filhos da Luz“, não sei como ele surgiu em minha frente (em seu computador ou anotações…) e editei-o no rodapé da página de créditos do livro.
Ei-lo novamente, mais que apropriado para esse 14 de Março, o Dia Nacional da Poesia.
E com ele, minha homenagem à minha confraria.
Postado por Sergio on 03 Mar 2008 | Em: Poemas
A cada visão, fato ou ato que reporte um dos anos de minha existência, transfiro-me para lá. O que fiz ou fazia, como vivia, o que pensava lá?
Raul Seixas não me deixa só.
Eu sou a areia da ampulheta
O lado mais leve da balança
Balança que não me aguenta
O ignorante cultivado
O cão raivoso inconsciente
O boi diário servido em pratos
O pivete encurralado
Eu sou a areia da ampulheta
O vagabundo conformado
Sem nunca se ter reformado
O que não sabe qual o lado
Espreita o pesar das pirâmides
Cachaceiro mal amado
O triste-alegre adestrado
Eu sou a areia da ampulheta
O que ignora a existência
De que existem mais estados
Sem idéia que é redondo
O planeta onde vegeta
Eu sou a areia da ampulheta
Eu sou a areia
Eu sou a areia da ampulheta
Mas o que carrega a sua bandeira
De todo o lugar o mais desonrado
Nascido no lugar errado
Eu sou, eu sou você