Meme
Arquivo no Assunto
Arquivo no Assunto
Postado por Sergio on 22 Jan 2008 | Em: Meme
Peguei lá no Marmota.
1 - Quem já fez sua cabeça?
Um sujeito com meio século de existência e que desde os doze anos lê jornais, passou pela experiência da formação de consciência via informações dirigidas. Falo dos anos da ditadura militar, pós 1964.
Vivíamos a Guerra Fria (01) e acompanhei a Guerra dos Seis Dias. Os jornais me fizeram acreditar que Israel era um coitadinho oprimido entre muitos árabes malvados. As notícias do Estadão e da Folha, ilustrados com radiofotos e telefotos das agências de notícias UPI, AP, ANSA mostravam como o pequenino Davi colocava de joelhos a gigante RAU, a República Árabe Unida.
Os USA patrocinaram o golpe militar brasileiro (inclusive), que fazia-nos pensar o que os USA quisessem que pensássemos.
Sou um sequelado da informação de massa. Ela, até mata.
2 - Quem corta seus cabelos?
Jura Cervati, poeta, cantador e um puta malandro que passou por essa vida, tinha cabelos de palhaço: só nas bordas da cabeça. Nessa, propôs um meio-corte aos cabelereiros da cidade. A lógica de seu argumento (Ora, não existe meia entrada para cinema?) conquistou apenas um barbeiro em Igaraçu do Tietê, a cidade vizinha.
Para mim, qualquer salão de barbeiro e/ou cabelereiro resolve. Desde que não tenha que enfrentar espera. Mas gosto quando acontece de ir em barbeiros que contem da proposta do malandro. Ótimos tempos aqueles com o Jura como parceiro na gandaia.
3 - Quem te enche os olhos?
Crianças, sempre. Penso a sabedoria da inocência e minha torcida pela existência do diabo de chifres e tridente para os que mal lhes fazem. Os primeiros, aqueles que ficam com o dinheiro público que seria para elas.
4 - Quem enche seu saco?
Pessoas que se comportam ou agem de modo atravessado, tentando dizer ou parecer o que não são. São camuflados, geralmente aquelas que buscam proveitos, unicamente. São essas, aquelas que insultam a inteligência. Vou deletando-as, simplesmente.
5 - Quem não sai de sua cabeça?
O livro da vez que estou editando.
Quem quiser fazer. Faça, linka prá cá, me avise, linko aqui.
(01) - Guerra Fria - Guerra improvável, paz impossível. Acho essa, sua melhor definição.
Postado por Sergio on 06 Dez 2007 | Em: Meme
Agradeço sensibilizado convite desse pessoal (Quem? Schuber, Douglas, Rizia e Rafael) para escrever sobre o tema título dessa postagem.
Mas, crianças… fui casado com quatro mulheres (ou cinco, nem sei ao certo…) e ainda não estou preparado para desenvolver o tema. Talvez (e apenas um mui subjetivo talvez) quando eu alcançar a décima esposa, eu já tenha compilado um pouco do universo feminino para dai então, poder escrever algo sobre. Está bem?
Por enquanto, me confesso um total ignorante. Mas não o é, o sempre fantástico Marco, quando brota-lhe das entranhas desvendamentos tais que enchem os olhos. Mas está convalescente, o gajo. (01) Torçam comigo para que ele logo se restabeleça e que surja logo a borboleta a lhe provocar.
(01) - gajo - do Caló (dialecto cigano de Espanha) gachó
s. m.,
tipo;
espertalhão;
súcio;
pleb.,
matulão;
adj.,
finório;
velhaco;
manhoso;
brejeiro;
s. m.,
branco, não cigano.Fico apenas com manhoso, que no Brasil, equivale ao que urdiria os ardis para o desfrute das mordomias que o Marco pleiteia.
(Brincadeira, opa! Fique logo bem.)
Postado por Sergio on 25 Set 2007 | Em: Meme
Não cheguei a ver Raul Seixas de perto, não mesmo. Quando aqui na minha região aconteceu dele vir para o Festival de Águas Claras, eu e minha turma “raulseixista” programamos a ida.
Não lembro hoje, porque diabos não fomos. É um irremovível arrependimento que vou carregar para o resto da vida.
Nós éramos dos poucos que compreendiam o que Raul dizia em suas músicas, que entendia sua filosofia. E não fui também no Rock in Rio depois, porque Raul não estaria.
Meu filho, do alto de seus cinco aninhos, disse: “Pai, o Rock in Rio não vai ter graça porque o Raul não vai, né?”.
É sim filho.
Mas, eba, sou dos poucos afortunados “raulseixistas” que têm vivo, um amigo que urinou com Raul. Foi numa boate em Sampa, quando esse meu amigo topou com Raul.
Estava ele, Raul, bebendo e jogando conversa fora com uns amigos, rindo muito.
“Cara, eu fui lá para ficar com algumas mulheres, mas quando vi Raul, esqueci das mulheres”, disse-me depois, esse meu amigo.
Passaram-se as horas e numa ida ao mictório trombou lá com o Maluco Beleza “tirando água do joelho”.
Tímido, e nem tão “raulseixista” a ponto de levar a mão para um cumprimento naquele momento, meu amigo limitou-se a dizer que gostava das músicas dele. E Raul respondeu:
“Ainda tô começando, ainda tô começando”.
Profética a idéia da frase, que não truncou-se por ter sido “convidado” pela ditadura, a deixar o país. E ele deixou. Mas Rockxixe conta melhor que eu:
Você é forte, faz o que deseja e quer
Mas se assusta com o que eu faço, isso eu já posso ver
E foi com isso justamente que eu vi
Maravilhoso, eu aprendi que eu sou mais forte que você
Toda música de Raul Seixas é eivada de algo maior do que simples compreensão da letra, enquanto componente melódica. É necessário conhecer de sua história para poder decifrá-la. Seja com a política, com a filosofia, com a religião, com o momento da música brasileira, com tudo enfim.
Canções como “Aluga-se” perpetuam-se como atuais. “Mosca na sopa”, era ele dizendo para a ditadura que não seria o único, que outros viriam. “Tente outra vez” levantou o astral de muita gente em muitos momentos.
Se fosse relacionar cada composição e sua estética, essa postagem ficaria muito longa.
Não há uma só composição sua que não seja (ou não sirva como) um registro musical ou histórico. Os compiladores de suas metáforas entendem mesmo sua difícil compreensão, pois muito além da cultura média do brasileiro.
Com isso, conseguia driblar a censura existente nos “anos de chumbo”.
Raul é o maior long seller (1) da música brasileira, só perdendo em direitos autorais para hypes musicais como Zéze de Camargo, por exemplo. Zezé chegou a emplacar a um só tempo, perto de uma dezena de suas composições nas paradas gravadas pela dupla com o irmão Luciano e outros cantores.
O raulseixismo parece apenas crescer com o tempo. Muito de seus fãs não têm idade para lembrar dele vivo. Sua imagem com fartos cabelos, bigodes, cavanhaque e óculos escuros é iconizada como representativa de toda uma ideologia, toda uma geração.
Em menor projeção, é claro, mas comparativamente, àquela conhecida de Che Guevara.
Luiz Lima, uspiano, escreveu uma Tese de Doutorado sobre o Raul Seixas e os movimentos da Contracultura jovem dos anos 60 e 70, pelo Departamento de História Social da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Ela foi publicada recentemente pela Terceira Margem Editora, com o título “Vivendo a Sociedade Alternativa: Raul Seixas no seu tempo”, onde se pode conhecer um pouco da história política de Raul Seixas.
Mesmo sem defender uma causa em específico (2), não há como negar a contribuição de Raul Seixas na desmoralização do regime de exceção.
Por essas e outras que “Toca Raul!” é um meme que deverá perdurar ainda, por tempo indefinido.
(1) - Long seller são aqueles títulos que nunca saem do catálogo, que mantém uma boa vendagem ao longo do tempo e dificilmente entram em promoção “limpa prateleiras”.
(2) - Raul Seixas cantava uma utópica anarquia, um lugar ideal onde para algo ser lei, bastaria a vontade individual.
Se você acha legal mostrar um Raul Seixas que poucos conhecem, vote nessa postagem no Rec6. Se não for cadastrado no sistema, o botão com o numeral amarelo o levará até lá. Clique e vá!
Postado por Sergio on 20 Set 2007 | Em: Meme
E saio por ai.
Postado por Sergio on 07 Set 2007 | Em: Meme
Top 10 em minhas estatísticas desde sempre, está a palavra-chave “depoimentos para amigos”.
Quando a keyword ainda não tinha sido descoberta pelos caçadores de palavras chave, era pior. A concorrência aliviou um pouco.
Sacou a Categoria?
Postado por Sergio on 03 Set 2007 | Em: Meme
Olha, o que tenho andado por ai lendo postagens e mais postagens nesses últimos quarenta dias, daria para escrever uma bíblia.
Bem, é senso comum entre os veteranos no meio que é primordial a construção de textos inéditos para que um blog tenha relevância.
Depois disso, o segundo ponto de relevância são as indicações que recebe de blogs “mais fortes” que o seu. E que trate de mesmo assunto. Seria o equivalente a um bispo indicando um padre. (comparaçãozinha mais sem graça, mas é isso).
Produção de texto é complicado para quem quer ter um blog “na marra e na piçarra”. Se o sujeito não é do meio, nunca gostou de escrever nem na escola, nunca foi afeito a leitura, como então, produzir textos?
Aí que entra a tal “caixa de ressonância” que tantos falam por ai. São textos que se reportam a outro, que veio reportado de outro, etc… Exclua as correntes-convites dessa classificação, é claro, pois cada um pode dar sua feição àquela que for construir.
O mais notável, é a facilidade com que esse princípio de tentativas, provoca de modismos. Tem um tal de “simples assim” por ai, usado como expressão definitiva para uma idéia ou situação, impressionante. “Ad nauseam“, é outra também muito usada.
E também, um formato de colocar uma explicação dentro de um parênteses: (ok, sei disso).
Sem criar um formato pessoal de comunicação, pode advir o desestimulo à descoberta do próprio. Maneirismos são legais, mas com o criador e sem um uso abusivo.
Torna-se um meme originado por massificação do termo. Da mesma forma que na televisão, vez por outra, um programa planta uma expressão nascida do nada, em si ridícula, o fenômeno repete-se entre os blogueiros.
Quem não se lembra do “até porque“, “não é mole não” entre maneirismos de linguagem em um determinado segmento, ou bordões de novela e programas de humor?
Exercite seus dotes, crie sua própria identidade. Melhor é bons textos em tempo mais espaçado que muitos papagaios. E o patrão, parece que gosta mais.