Cultura
Arquivo no Assunto
Arquivo no Assunto
Postado por Sergio on 28 Mai 2008 | Em: Cultura
O que é arte? Funções dela, tenho comigo que entre as principais estão a de chocar, a de colocar em xeque valores tradicionais que os usos e costumes os vão deteriorando.
A arte ajuda a colocá-los por terra. A arte adianta-se no tempo.
O artista precisa ultrapassar barreiras e ousar nos limites para ser notado e ter questionada, a sua arte.
Arte como educação parece-me ter mais sentido que arte como entretenimento. Guernica, por exemplo, é educação. Andy Warhol, fez entretenimento. Pontualmente, concordo em discutir isso.
A arte é para todos mas não para qualquer um. Sua absorção por cada um varia de acordo com o grau de aceitação da evolução (ou involução, que também aceito) do homem enquanto ser cósmico.
Qual o valor da arte? Isso, quem determinada são os infectos. Van Gogh morreu na miséria. Não encontrou em vida, o valor de sua arte. Mortos, a história do artista funde-se com sua arte e a supervaloriza.
Questionar arte é o mesmo que questionar o ser humano. Seria o mesmo que meter a todos num mesmo patamar de aceitação. Se debaixo de um mesmo teto não encontramos pessoas iguais, o que dizer então, de todo o planeta?
Qualquer um metido a intelectual (eu, inclusive) pode descrever um módulo apresentado como arte. E para cada uma das descrições serão encontrados acólitos. Arte não é unânime. Pode ir do magistral à indiferença de um par de olhos para outro.
Em resumo, arte apenas é e vale.
Um leilão beneficente promovido por Sharon Stone vendeu os originais do próximo livro de Paulo Coelho, ainda sem título, por 243.000 euros, ou, 640.000 reais. Aconteceu agora, em Cannes, em pleno festival que premiou a atriz brasileira Sandra Coverloni com a Palma de Ouro.
“Coincidentemente” o romance de Paulo Coelho se passa em Cannes, durante o festival. É a primeira vez que o autor vende um original, que nada mais deve ser que uma cópia impressa do Word, sem a revisão final.
Apresentado em cara encadernação de couro e veludo, aposto.
Paulo Coelho é celebridade, mas nunca um artista. Romances como esses que escreve, devem existir centenas de autores anônimos capazes pelo mundo. Ficaram de fora desse trem porque é o tipo de coisa que só serve ao primeiro a aboletar-se.
Um rascunho do nada de um pseudo-artista, mas valeu para quem tinha o dinheiro para comprar. E agora, no seleto mundo desses negócios uma merda dessas assume o preço pago.
A partir do momento que surgir alguém disposto a pagar mais (e não importa o quão absurdo seja esse mais), será quanto passará a valer. Donde atingem valores inestimáveis.
Essa mesma gente que não titubeia um segundo em ter suas mansões integralmente revestidas com mogno e jacarandá-da-bahia. Pelo piso, ébano. Nos jardins, talvez em cerejeira para ajudar no tom suave durante o verão, quando se servem de faisões.
Depois, saem a fazer chá para arrecadar esmolas para o Greenspace e vão dormir em paz.
Postado por Sergio on 20 Mai 2008 | Em: Cultura
Vamos a mais uma postagem sujeita a trovoadas e bordoadas. Tudo bem, se inevitável assim for.
Todo desenvolvedor de tecnologias socioculturais tem na observação de comportamentos seu atributo agregado mais saliente. Senão, nem existiria tal inclinação científica.
Portanto, quae sera tamen, explico que a integridade das postagens desse blogue sobre atitudes e comportamentos não refletem, necessáriamente, um mau humor com fatos ou elementos em tela.
É antes, ponderação sobre detalhes vistos através de lente bifocal: o fato em sí e sua representatividade interessante para um conjunto cultural específico. O que puder parecer tendencioso ou exagerado nada mais é que um pretensioso ensaio sobre seu futuro (E nunca, inócuos).
Passado o preâmbulo, num único parágrafo o fato: Notaram como essa distinta religião (ou seita, como queiram) Hare Krishna, parece não se negar à oportunidades de participação em programas de televisão, mesmo que fora de seu contexto? (01)
Divulgar, dar-se a conhecer pelo público, ocupar espaços disponibilizados para tanto, faz-se mister para praticamente um tudo no mundo. Desde uma campanha institucional educativa à interesses unicamente mercantis e… religiões.
Vivemos na Era da Comunicações e quem disso não souber usufruir com autoridade, tende a minguar-se, a ficar esquecido.
Quando se lê Jesus juntando multidões em suas pregações, tome por multidões coisa de duzentas ou trezentas pessoas, quando muito. Hoje, seriam grupelhos.
Se de fato a história ocorreu como está na Bíblia, consegue imaginar o caso Jesus com uma cobertura de média similar à do caso Isabella? Imprevisível, eu diria. A humanidade se tornaria cristã da noite para o dia ou então, seria apenas mais um hype.
Até onde é válido tais esforços sem que fique comprometida uma mensagem original? Onde fica a linha divisória que separa a ação consentida pela doutrina, da massificação deturpadora dessa doutrina?
Essa, a massificação, aquela que tomou da deidade como produto mercantil e originou grandes conglomerados. (desnecessário exemplos, certo?)
Os Hare Krishna, já os vi em performances clowns do apresentador Otávio Mesquita e ontem, como extras na novela Beleza Pura, da Globo.
Palhaços e cenários exóticos, para ficar mais claro.
Demora, a Sapucaí?
(01) - Fora do contexto da religião, de sua pregação.
Postado por Sergio on 13 Mai 2008 | Em: Cultura
Pelo seu prestígio nos meios intelectuais, pela beleza arquitetônica do edifício da sua sede, pela importância do acervo bibliográfico e ainda pelas atividades que desenvolve, o Real Gabinete Português de Leitura é, a todos os títulos, uma instituição notável e que muito dignifica Portugal no Brasil.
Em 14 de Maio de 1837, um grupo de 43 emigrantes portugueses do Rio de Janeiro - e deve-se sublinhar que isto ocorre somente 15 anos depois da Independência do país - reuniu-se na casa do Dr. António José Coelho Lousada, na antiga rua Direita (hoje rua Primeiro de Março), nº 20, e resolveu criar uma biblioteca para ampliar os conhecimentos de seus sócios e dar oportunidade aos portugueses residentes na então capital do Império de ilustrar o seu espírito.
Entre esses homens, cuja maioria era composta de comerciantes da praça, estavam alguns que haviam sido perseguidos em Portugal pelo absolutismo e que tinham emigrado para o Brasil. Era o caso de José Marcelino Rocha Cabral, advogado e jornalista, que iria ser eleito primeiro presidente da instituição.(.Link.)
Comece a ler pelo link identificado como Real Gabinete Português de Leitura, onde está sua história. Uma instituição fantástica essa.
Postado por Sergio on 10 Mai 2008 | Em: Cultura, Promos
Pelos anos oitenta li uma reportagem num dos jornais (Folha ou Estadão, não lembro qual…) sobre um artista encontrado no interior de São Paulo, em Campinas ou Piracicaba.
Exatamente qual seria a cidade, novamente, não lembro.
Bem, lembro da reportagem, sua foto apresentando-o como um senhor na terceira idade, branco e de já alvos e poucos cabelos.
Morava num barraco de favela e pintava seus quadros em madeira de caixotes, desses que feirantes largam quebrados pelos fins de feira.
João de Deus era seu nome e ele fazia tela juntando as tábuas soltas. Dava-lhes um fundo branco de cal e voilá, eis mais uma pintura primitivista de sua lavra.
Como pintura primitivista, você pode reconhecer aquelas que se caracterizam pela ingenuidade, inspiradas em temas populares do meio rural ou urbano. Desconhecem os efeitos de luz, sombra e profundidade. Apresenta-se como uma pintura amadora, espontânea, de artista sem nenhuma formação ou instrução para os pincéis.
Exatamente como a imagem que ilustra essa postagem, a obra Banco do Amor de Waldomiro de Deus.
Tá. Passaram-se as décadas e eis que por volta de 2001 vi um quadro na parede da sala da casa de um amigo e aproximei-me dele. O estilo, inconfundível. E a assinatura, estava lá: João de Deus.
- Puxa, você tem um quadro de João de Deus… Puxa… faz tempo li uma reportagem sobre esse pintor, mas depois, nunca mais ouvi falar dele.
- É. João de Deus, viu só?, respondeu vaidoso o meu amigo, por possuir a tela.
Não se trata esse meu amigo de um colecionador ou apreciador de arte, nada disso. Se em lugar de um João de Deus em sua sala, por ali estivesse um desses quadros que se compram em esquinas, de paisagens outonais do hemisfério norte, daria no mesmo.
Agora, com um blogue para alimentar, fico a pensar em coisas que não encontro na internet e que possam render uma postagem. Noutro dia pensei em João de Deus, que por várias vezes e em diferentes épocas procurei sem nada encontrar.
Santa coincidência! Encontrei a Waldomiro (que não conhecia) também de Deus e primitivista.
João de Deus, cadê você, se não morreu pior do que se encontrava? Esquecido, pelo visto, você foi.
Postado por Sergio on 29 Abr 2008 | Em: Cultura
Meu amigo, não existem fotos de Isabella morta na internet. São vírus enviados para seu e-mail, com endereços falsos. Poderão infectar sua máquina e ter suas senhas de banco, roubadas.
(Um bônus para a blogagem coletiva sobre a Inclusão digital)
E continue lendo…
Fatos de impacto negativo sobre os ânimos das pessoas passam por períodos distintos no consciente coletivo. Primeiro, o choque. As pessoas querem saber como, quem, quando, onde e porquê.
Satisfeito esse ímpeto, vem o do rescaldo, quando entra em ação o grupo perscrutador dos restos desse incêndio mediático.
Como tratamos de tragédias que envolvem vidas, é despertado um furor por fotos. O primeiro que me vem na lembrança, foi o de fotos dos Mamonas Assassinas, estou certo?
Passaram-se outros e chegamos agora, ao caso Isabella. Eu recebi um e-mail convidando para visitar uma comunidade do Orkut sobre isso. Desnecessário lembrar que o endereço era falso, levava para um provedor que hospedava um arquivo suspeito, provavelmente, algum trojan para roubar senhas de bancos.
Depois de ler no feeds essa postagem do mestre blogueiro, foi para reparar um enfoque diferente do que me ocorre: donde a vontade de ver uma criança morta no necrotério?
Minha resposta é mais cultural que um momento passional. Essa postagem do Obvius (e, para quem quiser saber mais, tem um link para um PDF em meio aos comentários) remete para o hábito religioso cultural de se fotografar crianças mortas.
Até onde isso chegou aos nossos tempos? Para mim, é fácil responder. Como já vos disse, moro numa pioneira região canavieira de São Paulo onde hoje, 1/3 da população é de origem nordestina. Foram as primeiras levas que criaram raízes pela fartura de oferta de empregos.
Em meu tempo de menino, era comum pessoas receberem fotos de seus mortos no caixão. Dado a distância, não teriam mesmo como chegar a tempo do enterro. Esperavam ansiosos pelas fotos e as adoravam, sem que houvesse nisso, nenhum sentimento mórbido.
Seria mais, o conforto de uma participação no velório, o compartilhar da dor dos que estiveram presentes. Uns, até emolduravam essas fotos.
Por isso não digo que todos o que saem à cata de fotos assim, em específico, sejam eles uns degenerados mórbidos. Alguns, sim, certamente.
Onde entra aquela minha definição para o valor cultural: uma herança não biológica.
Postado por Sergio on 23 Abr 2008 | Em: Cultura
Mundial, tá valendo.
No Brasil, se você conhece aquele site para escrever lápides, faça uma com Autor ao lado de uma outra, com Leitor. Entre elas, escrito Cultura no Brasil, coloque o Haroldo com carinha de realizador.