Tensão na fronteira

Eis que certo dia, a comandante em chefe do território no qual me encontro descobre frondosas ramas de maracujá a subir pelo muro.

Por aqui é assim, terra roxa é assim. Basta um pássaro cagar uma semente que ela germina por qualquer fresta do calçamento. E o pé de maracujá ganhando viço, flores e… e os frutos?

Os frutos, notificou-me um dia a comandante em chefe do território fronteiriço:

- Viu que é maracujá esse pé? E está lotado de frutos por aqui. De seu lado também?

- Não, por aqui nadica de nada. Só as ramas. As ponteiras passaram para seu lado.

E ela terminou:

- Sem problemas. Quando amadurecerem nós repartimos.

A comandante em chefe do território cá de meu lado – ciosa que é com suas plantas, seus cães e até um peixinho de aquário enquanto viveu – cuidou de uns poucos frutos que cá apareceram e roçavam o chão.

Enquanto acomodava esses parcos frutos num estrado improvisando um tanquinho que ia para o lixo, comentou:

- Pé de maracujá é assim mesmo, é mulher de corno. Vive de um lado do muro e dá no vizinho.

Foi quando a notifiquei da disposição do “inimigo”:

- A vizinha garantiu sob penhora de sua palavra que repartiria o que colhesse depois.

Ela não comentou. Como são reinos de paz selada acredito no pontual acordo diplomático.

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