O calhambeque da Nestlé. Valei-me São Tigum

O calhambeque que era de Roberto Carlos foi reformado sob a batuta de Emerson Fittipaldi. Pode sim, ter sido apenas uma ação entre amigos e como fato produziu algum material para televisão e revistas.

Agora, a Nestlé embarcou no fato como ação de marketing. Ótimo, boa sorte para aqueles que conseguirem na baba um carrinho tão incrementado.

Mas parem de falar que foi restauração, que não foi. Fazer o que fizeram, foi uma barbaridade com uma peça histórica que até hoje ainda não compreendi.

O Tigum é um amigo de primeira infância, primeiríssima, desses que poucos nos restam. E ele é um restaurador apaixonado e conversamos, na época, sobre o que fizeram com o famoso calhambeque.

Restaurar, é devolver as qualidades originais com um mínimo de interferência no design, cometendo os restauradores, a loucura de produzir, “no martelo”, peças idênticas às originais.

A moda das duas últimas décadas são as caminhonetes da primeira metade do século. Claro, eram raras ser encontradas peças para restauração e agora, com valores de colecionador, chegam a custar vezes e meia o preço de um carro ponta de linha, quando restauradas.

Digo mais: é viciante isso. Cada vez que em sua oficina acontece de estar um veículo em restauração, cada movimento, cada peça que se restaura é um pouco de história que se aprecia, a história do veículo e a história toda particular que produzir cada peça proporciona.

E a Nestlé irá distribuir réplicas do monstrengo. É um belo carrinho, edição limitada e parece que de graça para alguns sortudos.

Mas parem de dizer que é o calhambeque restaurado, cazzo.

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