Cheguei do dentista fissurado por um café. Sacumé, ir para lá, é necessário antes uma faxina exemplar na cavidade bucal. Na saída do consultório, aquela sensação na boca de ter sido um limpador de piscinas que nela bolinou com seus esguichos antigermes.

O cigarro, tem gosto de nada nessas horas, não serve como alívio para a quase hora com a boca atulhada de ferros.

Chegar em casa, meter água para ferver e voilá! Eis meu amado e idolatrado cafezinho brasileiro. Mas durante, incomodou-me a pia, fogão e mesa por limpar. A dona da pensão quando está em casa, cozinha legal. E hoje, almoçou com o namorado e sairam.

Vamonessa, ué. Enquanto preparo meu café, dou um jeito nessa tralha toda. Alias, sou bom nisso. Estou certo que a Suyan sente minha falta…

A mesa, uma toalha de tecido com uma bandeja com um vaso de ramas verdes numa ponta. Na outra ponta, um pedaço de plástico que a cobre. E, sobre o plástico, umas toalhas tipo americanas, também de plástico.

Pela mesa acomodei a garrafa térmica com o coador de papel munido da coffea arábica. Transferi o que era para ser lavado para a pia e achei de “passar um paninho” na mesa. Àgua fervendo com açucar, pia até o teto de coisas para lavar e, nessa de “passar um paninho”, derrubo a garrafa e do suporte, todo o pó.

Calma, Serginho…

Daí, que consolo? Afastar as cadeiras, retirar e limpar peça por peça das descritas que estavam sobre a mesa, secar tudo e recolocar no lugar. Varrer e limpar e chão e só depois lavar a louça. E só deeeepoooooois, é que cuidei do café.

E a dona da pensão chega, passa e vê:

- O que você fez?!?

E eu:

- Nada não… devo ter confundido a cozinha com o Firefox, que trabalha com abas.

E ela, sem nada entender e nem querer explicação:

-Ah, tá.

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