Frei Galvão e Madre Paulina: santos que não pegaram
Lembrei de uma legal, de hoje de manhã. Cá perto fica uma charutaria e casa de artigos religiosos.
Vende desde imagens de Buda até gamelas para degolar frangos e bodes em macumba.
E o meu amigo proprietário estava por lá desencaixotando velas coloridas, imagens de gesso e fornindo as prateleiras.
Em meio àquele desfile de cores e aromas que é sua loja, entretemo-nos um pouco:
- Aposto que você não tem Shiva por aqui.
De cócoras como estava, apontou o dedo para onde se encontravam a imagens de santos orientais.
Continuei a fustigar: E Padre Cícero? Frei Damião? Zé Pelintra? Pomba Gira?… santo isso, santo aquilo…
E ele tinha todos. Gostei da distração e me acocorei junto dele. Daí, pedi e ele me passou o ranking dos mais vendidos.
Em primeiro lugar e disparada na frente está Nossa Senhora da Aparecida. O segundo lugar, com algum destaque, ficou para Santo Expedito.
Em seguida, quase todos os outros santos da igreja católica sincretizados pela religiões africanas que temos no Brasil (e quem mais os compra não são os católicos: é o pessoal da umbanda).
E o Padre Cícero, também nessa faixa de procura no mercado.
E, migrados que foram para os confins da loja, imagens dos novíssimos santos brasileiros Frei Galvão e Madre Paulina. Zero de Vendas.
- Falta a média, eu disse. Alguém tem que jogar algumas muletas numa gruta qualquer e dizer que é graças a milagres do santo. Daí, vai bombar.
Foi só para proferir minha bobagem do dia.
Mas isso não é criação minha, tá? Temos por aqui uma gruta artificial, de quando dinamitaram um morro para retirar pedras usadas na construção da represa, da hidrelétrica.
No bar, um maluco velho teve a idéia das muletas na gruta. Detalhou-a. E faz tempo isso. O maluco morreu sem levar a termo seu “plano de negócios”.
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