Mulher

Zoei hoje com a dona da pensão sobre o Dia Internacional da Mulher. Primeiro, contei de meu flagra nas coisas da empregada, sobre sua cama (da empregada). Ela procurava alguma coisa em sua bolsa e vi por ali um pacote retangular, enorme, textura e tamanho de uma caixa de sapatos.

Nem imaginam, não é? Era uma caixa do absorvente higiênico Modess e eu tinha seis ou sete anos de idade. Isso então, lá por 1961, 1962. Como visto, bem diferente das apresentações atuais do produto. Perguntei o que era aquilo e a resposta: “Ah, você é muito criança para saber” respondeu ela, sem muito jeito.

E a zoada de hoje: “Ah, vá… Você conseguiram alguma independência porque começaram a gastar. Senão, nem modess fabricavam para vocês”.

Agora, falando sério, passado alguns anos depois disso veio-me as mãos um livro de João Mohana, apresentando-se como médico e sacerdote e falando sobre sexo. Puxa. Isso nos fechados anos sessenta deveria ser algo extremamente cuidadoso com o “cabeludo” (sem trocadilhos) do tema.

E era. Meu pai era um leitor compulsivo e lia o Estadão. Aquilo dobrado em dois dava quase um palmo de altura e apresentação, das piores: letras miúdas, borradas e quase nenhuma foto. Como eu já estava habituado a lê-lo, livros, eram “refresco”. E li o livro de João Mohana numa sentada só.

No primeiro ano do ginásio, equivalente a atual quinta série, um professor Valter Sahade, atreveu-se a nos ensinar um pouco de educação sexual. Fechava a porta da sala e deixava a molecada e as meninas perguntar o que quisessem. Super avançado para a época e o professor é vivo e meu amigo. Nunca nos esquecemos dessas aulas, tão úteis que foram a todos.

Bem, o fato é que passei a ser um quase auxiliar nessas aulas, graças ao aprendizado com o livro de João Mohana. E, dentre os ensinamentos, lembro claramente (mas nunca cumpri, anote-se nos autos…) do aconselhamento em amar namoradas e esposas como forma de gratidão à mãe que pouco pudemos amar.

De fato. Deixamos mães muito cedo, como norma geral. Ficamos junto delas enquanto mamamos, literal e figuradamente. Quando chega a independência, é a primeira que relegamos a segundo plano.

Então, se cada um amasse adicionalmente sua mulher e namorada como forma de compensação a isso, a mulher seria, merecidamente, melhor amada. Apenas (?) isso.

 

Comente