Dezembro 2007
Monthly Archive
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Sergio 30 Dez 2007 | : Topetem
Em duas ocasiões, em programas diferentes de televisão, vi perguntarem para Claudia Leite se ela cogita posar nua. A vocalista do Babado Novo garantiu que não.
O que em mim tocou, foi a falta de criatividade dos apresentadores. Ou, isso de perguntar se posará nua é pergunta de praxe de entrevistadores para gostosas do momento. Que bobagem…
Pior, já vi levarem esse lero também com Ivete Sangalo. Não é muita falta de critério desses apresentadores, perguntar para artistas que ganham muito sobre posar nua?
Porque o fariam? Não por dinheiro, pois seria preciso muito para representar alguma coisa dentro do universo de seu faturamento como artistas. E acredito que todo e qualquer entrevistador de televisão saiba disso.
O que leva a crer que são mesmo perguntas de praxe, daquelas que precisam ser feitas.
No último semestre, embora a revista Playboy tenha metido por sua capa esperadas gostosas famosas, foi insana a busca por Natália Guimarães nua por aqui, mesmo por conta de uma postagem onde ela aparece só para ilustrar um raciocínio.
Natália Guimarães só deixou de ser “pesquisada” sobre o assunto depois que passou a frequentar as colunas sociais como affair do governador Aécio Neves, de Minas Gerais.
Será que o mineirim censurou o Google é? Eh,eh,eh…
Penso que, como saiu dos holofotes, Natalia Guimarães ficou esquecida pelos onanistas juramentados. Falar nisso, como será que funcionam eles, digo, esses caras que saem a pesquisar por nomes de mulheres peladas na internet?
Eu vos digo: basta a simples junção de seu nome + nua proferido por alguém na televisão, e uma saraivada de buscas acontece. O que pode comprovar que o fenômeno salsinha (01) extrapola o rack do computador. Ele é extensivo ao sofá da sala.
Inclusive, espiar vez por outra as estatísticas do blogue, é uma maravilha no tocante a saber o que buscam. Na medida que se avolumam as postagens, os gostos vão se diversificando. Acreditam que até um simples feliz aniversário buscam?
Pergunto: para quê?
Outra: Essa mensagem de ano novo alavancou o blogue nesses últimos dias. E, excetuando-se Calvin (como se fosse pouco…) nada há por ali.
É… “construa que eles virão” (02). Escreva a nhaca que quiser que o público para aquilo existe.
(01) - Salsinha é criação do Cardoso. Define algo menos apto que uma ameba.
(02) - Uma referência legal sobre uma passagem do filme Campo dos Sonhos, com Kevin Costner. Usada primeiro, no Contraditorium
Sergio 29 Dez 2007 | : Política
Nada como as ruas para comparar com as notícias dos jornais, não é mesmo?
Quando lemos que temos problemas com o fornecimento de gáz boliviano, é apenas mais uma notícia. Mas quando encontramos no bar aquele amigo que trabalha numa indústria que usa esse gáz como combustível, a realidade do formato é bem sensível.
A Petrobrás perdeu a posse de suas refinarias na Bolívia. Não achei ruim pois é um povo muito pobre e estava sendo explorado. Se você não conhece a fome e a miséria numa choça de bolivianos e paraguaios, eu conheço. Deixaria minha alma por ali, se pudesse minorar aquela miséria, bem pior que no Nordeste brasileiro.
A Petrobrás está ainda se acertando com a Bolívia (que políticamente, estará um cú a ser conferido em 2008) e, não bastasse isso, precisou abrir mão de parte do gáz boliviano em favor de los hermanos argentinos para que não sofressem um apagão, tão sabendo né?
Conclusão 01 - Indústrias brasileiras que investiram pesado no crescimento (caso aqui de minha cidade, de cerâmicas) estão sem combustível para a queima dos produtos fabricados.
O presidente Chávez, da Venezuela, está se armando até os dentes comprando armas aos montes e de todos os calibres. Dificilmente irá se meter com o Brasil, mas pode arrumar encrenca com a Colombia ou a Guiana, o que daria na mesma com respeito a estabilidade do continente.
Generais brasileiros já acossam Lula para reequipar as Forças Armadas e isso precisa mesmo ser feito independente de qualquer coisa, dado ao sucateamento de “nosso” equipamento bélico.
Conclusão 02 - Em 2008, política externa no continente estará bem para “beijinho, beijinho, pau, pau”.
Andam querendo que o Itamaraty libere os arquivos históricos, com especial interesse dos queremistas, pelos períodos da Operação Condor e até, da Guerra do Paraguay.
Contra envolvidos na Operação Condor existe uma blindagem jurídica propiciada pela Lei da Anistia e então, temos que dar isso por encerrado. Nada julga e condena melhor aos torturadores que sua consciência, o medo e a culpa permanente.
Qualquer ação nesse sentido, o de querer abrir os arquivos e divulgar nomes, será apenas para efeito pirotécnico, daqueles que são usados para desviar a atenção da sociedade dos reais problemas do país.
Conclusão 03 - Se foram anistiados, anistiados então estão.
Muito de terras do Paraguay e (acho também) da Bolívia, foram usurpados pelo Brasil depois da Guerra do Paraguay, o que deve estar fartamente documentado nos arquivos do Itamaraty.
Lembrem-se que a usina de Itaipu tem Binacional no nome e esse “binacional”, é o Paraguay.
Conclusão 04 - O Brasil já não paga grande coisa ao Paraguay pela energia que compramos de sua parte da sociedade em Itaipu. Se vier a tona essa história de terras que podem ter sido usurpadas, aquilo vai dar merda.
Enquanto isso, em 2007 cresceu em 10% o desmatamento da Amazônia no Brasil Império.
Quando algo de sério será levado a sério?
Sergio 28 Dez 2007 | : 100 Categoria
Vi um filmete de mensagem de Natal do PTB, o Partido Trabalhista Brasileiro. Caso não o tenha visto, é ele nos moldes desses que as emissoras de televisão fazem a cada fim de ano com seus funcionários e artistas, entoando paupérrimos cantares para uma melodia igualmente paupérrima.
E o patético, se coube ao PTB, eu o atribuiria a qualquer outro partido político brasileiro que tivesse em seu lugar. O PTB é o partido que tem entre seus próceres, o ex-deputado “tenor” escroque do “mensalão” Roberto Jefferson e o forrozeiro Frank Aguiar (AAAU!).
Vamos trabalhar, cambada! Queremos suor dos partidos, e não confetes e salamaleques!
Se bem que, no Brasil, isso de partidos políticos enquanto ideologias distintas ou participativas (01) é mera ficção. O que temos, é um amontoado de siglas fisiológicas, salvaguardando-se honrosas exceções entre seus membros integrantes.
Vamos lá: dou um desconto para o PT, o Partido dos Trabalhadores, que talvez mais se assemelhe a um partido político em estrutura de funcionamento, de participação dos filiados em seus destinos.
O PTB foi criado para ser o “braço esquerdo” de Getúlio Vargas e foi extinto pós golpe de estado de 1964, assim como todos os outros então existentes. Com a redemocratização, a sigla foi ressuscitada e arduamente disputada por Ivete Vargas, sobrinha do ditador, e Leonel Brizola, político gauchoca (gaúcho + carioca).
Após longos embates Ivete ganhou e Brizola, emocionado, criou o PDT (02).
(01) - Um partido político é uma agremiação feita para congregar pessoas sob um mesmo ideal, uma mesma ideologia. O que temos no Brasil são siglas de caciques, caudilhescas e de aluguel.
(02) - Quando finalmente Leonel Brizola perdeu a sigla PTB para Ivete Vargas, como bom caudilho, criou seu próprio partido, o PTD. Antes de ser divulgado a nova sigla, correligionários o alertaram de seu formato, que ensejaria deturpações ou outros usos por parte de adversários, uma vez que facilmente a letra “D” poderia ser pichada, transformando-se num “B”.
Atento a isso, Brizola disse o dito pelo não dito da sigla e obrigou-se a apresentar PDT à imprensa, escrito com pincel atômico num pedaço de papel.
Sergio 25 Dez 2007 | : Esportes
Encontrei e partilho o interessante artigo de José Geraldo Couto (não tenho um link), aproveitando que temos cá no Trivial, a frequência de uma galera sampaulina.
Jesus, amor etc.
Kaká, como jogador, é o máximo, mas tomá-lo como modelo para os jovens é anacrônico e conservador
A escolha de Kaká como melhor futebolista do planeta não surpreendeu ninguém, pelo que ele jogou na temporada. O que me assustou um pouco foi ouvir no rádio e na televisão uma porção de gente exaltar o rapaz como “modelo positivo para a juventude”.
Ora, vamos combinar, Kaká fora de campo, à parte a beleza física evidente, é de uma insipidez espantosa. Mauricinho e carola, sua imagem corresponde a um bom-mocismo que eu julgava há muito superado. Não me entendam mal.
Nada contra ele casar virgem e estampar na camiseta que “pertence a Jesus”. Mas daí a tomar isso como exemplo de caráter vai uma grande distância. Kaká, é bom lembrar, foi um dos primeiros a sair em defesa do casal Hernandes, os líderes da igreja evangélica Renascer em Cristo, que foram parar na cadeia por ludibriar a fé dos incautos e sonegar impostos. Apoio no mínimo questionável, a meu ver.
Ainda assim, problema dele. Mas há algo de profundamente regressivo em considerar esse tipo de comportamento como “sadio”. Querer restaurar, a esta altura do campeonato, valores como a virgindade e a fé religiosa cega traz um perigoso ranço de TFP (a ultraconservadora Sociedade de Defesa da Tradição, da Família e da Propriedade), ainda que sob as tintas mais estridentes, pragmáticas e mercantilistas das correntes evangélicas.
Como contraponto a esse obscurantismo anacrônico, lembro um episódio ocorrido com o grande ex-jogador e ex-treinador Elba de Pádua Lima, o Tim (1915-84), e narrado no recém-publicado “João Saldanha - Uma Vida em Jogo”, de André Iki Siqueira.
Tim era técnico de um clube grande do Rio de Janeiro quando, numa peneira, um garoto ansioso por agradá-lo declarou: “Não bebo, não fumo nem farreio”. Tim respondeu: “Pois aqui você vai aprender a fazer tudo isso”.
Claro que ninguém aqui é criança. Sabemos que o álcool, o cigarro e as noites maldormidas podem prejudicar a saúde e o desempenho de qualquer profissional. Mas são, no mais das vezes, experiências que fazem parte do aprendizado de vida de qualquer cidadão saudável.
Millôr Fernandes escreveu uma vez que a mais incompreensível de todas as taras é a abstinência. Ernest Hemingway, por sua vez, quando indagado sobre as coisas que poderiam atrapalhar a atividade do escritor, respondeu: “Mulheres, bebida, dinheiro. E também falta de mulheres, de bebida e de dinheiro”.
João Saldanha, sábio do futebol e da vida, ajudava seus jogadores a fugir da concentração para se divertir. Só recomendava, de modo meio machista, que não mudassem de mulher às vésperas de um jogo, caso contrário tenderiam a “mostrar serviço” na cama, desgastando-se em excesso.
Kaká entregou a alma a Jesus, o dinheiro à Renascer e a virgindade à noiva. Vágner levou uma mulher para a concentração do time e ganhou o apelido de Love.
O primeiro é muito mais jogador, mas o “exemplo” do segundo me agrada mais.
Sergio 24 Dez 2007 | : Topetem
Esta semana o time do orkut descobriu que um usuário explorou uma falha de segurança na página de recados. Como resultado, muitos de vocês receberam recados de amigos que não foram realmente enviados por eles e seus amigos podem ter recebido recados que parecem ter vindo de você.
O time do orkut reagiu rapidamente e trabalhou até tarde da noite para corrigir a causa do problema e conter a disseminação destes recados.
Acreditamos que o ataque foi efetivamente interrompido e que você não deve mais receber nenhuma destas mensagens falsas. Nós apreciamos a sua compreensão e esperamos que isso não tenha causado um inconveniente muito grande para você e seus amigos do orkut.
Minha opinião? Molecagem Nota 10.
Sergio 24 Dez 2007 | : Topetem
Assemelho-me como escritor de blog, ao professor universitário que adentra e logo se esvai da sala de aula atirando tópicos ao ar, sem nada anotar no quadro negro. Aos alunos, que se bastem para retirar dos livros e da internet o conhecimento exigido pelo mestre.
Mas assim não é, o Marco. À inspiração, foto ou o fato que não lhe bate em todo às fuças, sai ao encalço da informação complementar, à pesquisa, para premiar seu leitor com um texto próximo ao esgotamento da matéria.
Você pode conhecer uma dessas três fotos que mudaram a guerra do Vietnã, pode conhecer duas delas ou até todas as três (eu, conhecia duas). Mas aposto que nunca pensou em vê-las a todas assim dispostas, correlacionadas e historificadas, pensou?
Mas o blogue não é só isso. Sem exageros, enxergo no Bitaites um pouco do muito humor que mostrou-nos Bocage. Mas falo do Bocage erótico e herético, que é o Marco, um poeta que prescinde dos versos para desfraldar sua poesia que acre, abranda-se ante a visão apaniguadora da mulher. (Ah, elas…)
Viajem por lá, comecem por essa postagem e percebam o grau de versatilidade do autor como artista do texto. E vos garanto: acompanho o blogue faz já algum tempo e sua qualidade vem em curva ascendente.
Embora saiba eu que o Marco seja avesso a elogios, ele sabe que cá de mim não partiriam os gratuitos. E ficou impossível não lembrá-lo e repassar aos leitores que por aqui passam depois dessa sugestão, parte integrante desse interessante desafio.