Retrospectiva 2007 – Fudeu e Valeu!
Parou para pensar em tal poder de síntese, como uma única palavra exprime tudo do mais recôndito do ser? Tudo o que já não é mais, tudo que já não pode mais ser, tudo que se esperou e não veio?
Assim, simples. Fudeu, é a antítese de Valeu! Mas Valeu!, vem assim, pomposamente acompanhado do ponto de exclamação, dando mó bandeira: !
2007 vê chegar seu final com seus Fudeu e Valeu! E, enquanto forças antagônicas, é interessante notar como podem representar-se diante do mesmo fato, dependendo do observador. Exemplifico:
Para o corinthiano, aquele que ficou estatelado no sofá depois do apito final de Grêmio 1 x Corinthians 1 entre latas de cerveja vazias e cinzeiro cheio de baganas, fudeu.
Para seus inimigos viscerais, os porcos e os bâmbis, valeu!
Dentre os corinthianos, o valeu! só vai para o goleiro Felipe. Azar de artilheiro, Finazzi ficou de fora das duas últimas partidas. Já pensou ele jogando e tendo feito um mísero golzinho nessa partida final? Seria um valeu! e tanto…
Mas não, fudeu.
E notem que não digo ih, agora fudeu ou apenas ih, fudeu. E sabem porque? Porque assim acompanhado, o fudeu perde um pouco sua característica de definitivo, parece que dá margens para esperanças.
Outro exemplo?
Digamos que você tope fazer essa receita e convide a própria Lu Monte para um jantar. Vamos lá, mostre que é descolado, que entende de cozinha… Mas, e se seu prato ficar uma gosma róseo alaranjada com distantes sabores do camarão ou da moranga? O que fará?
Manda subir uma pizza? Fudeu.
Cumpre ressaltar nessa postagem que tanto fudeu como valeu! estão no limiar do todo, podendo tanto descambar para o alívio (valeu!) como para aquele suspiro pesado (fudeu).
E ainda, que são de foro íntimo, certo? Cada qual é que tem o poder e direitos sobre os seus fudeu e valeu!
Se bem que, valeu!, pode ser exteriorizado, pode referir-se a uma situação coletiva. Já o fudeu, parece-me muito particular para dar-lhe alguma jurisdição além do ser.