Tancredo Neves foi eleito presidente do Brasil contra Paulo Maluf no famigerado colégio eleitoral das eleições indiretas de então.
E teorias conspiratórias à parte, Tancredo morreu por doença antes de assumir. E com isso seu vice José Sarney solidificou-se na sarna atual.
O conciliador Tancredo Neves foi fundamental naquele momento de transição na política brasileira. Faz jus ao que a História lhe dedica.
O político mineiro é o expoente da política mineira, se é que me faço entender. E vou contar uma história de sua sagacidade que agora lembrei.
Sabem isso que fazem as celebridades e seus derivativos para aparecer na imprensa? Essas bobagens como pagar um peitinho na praia, passear com o cãozinho por um calcadão, pedalar e, com sorte, algumas coisas outras?
Pois é. E isso em políticos também é comum, mas usando de colunistas de jornais e revistas. E em tempos outros foi flagrante uma certa promiscuidade entre colunistas sociais e políticos.
Ibrahim Sued, uma espécie do atual Amaury Júnior, fez fortuna com isso. E olhem que por aqueles tempos a televisão não tinha essa força. Mais mesmo, eram revistas tipo O Cruzeiro ou Manchete e jornais.
Como hoje, político que se preze não deixa passar um acontecimento social de família sem que isso se torne uma efeméride política.
Bem, pelo menos, para ele.
O casamento de um filho/filha, por exemplo, sempre foi a cereja desse bolo. Neles, a lista de convidados reparte-se entre familiares/amigos e políticos interessantes.
E tudo isso como ensaio para que o colunista social amigo seja instado/cooptado/e$timulado a plantar aquela notinha em sua coluna:
“Festa de casamento blá, blá, blá… e anfitrião Doutor das Quantos é cogitado para ser o Secretário dos Transportes no futuro governo de Robando Suagrana e blá, blá, blá.”
E numa dessas, determinado interessado em garantir sua vaga num governo de Tancredo Neves no Estado de Minas Gerais, trabalhou bem com isso e teve seu nome “cogitado” por várias vezes na imprensa.
Vocês sabem né, como funciona essas coisas. Tem valor relativo o fato de ser companheiro de campanha eleitoral, ter ajudado ou até financiado alguma coisa. É preciso jeito para cavocar seu seu espaço no governo eleito.
Candidatos quando em campanhas são companheiros. Eleitos, são Sua Majestade. No poder, deuses.
Bem, vai daí que o correligionário em questão tem seu momento de privacidade com Tancredo Neves e se insinua:
- Doutor Tancredo, a imprensa já está a me perguntar demais que papel cumprirei em seu governo. O que digo a eles?
- Meu querido amigo e mais leal companheiro! Você é um grande companheiro e não pode passar pelo desmerecimento público de não ter sido lembrado. Isso não! Não fique mais constrangido com isso. Quando perguntarem, diga que eu o convidei mas você recusou.
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