Um dia me disseram para nunca desistir de escrever. Mas para quem tem a Literatura pelo lado de dentro do espírito, sendo o que Vinícius de Moraes chamou de “Alma que sofre pavorosamente/A dor de ser privilegiada”, não escrever equivale a “escolher morrer um pedaço”. Então é claro que nunca desistirei, não importa em que estágio esteja minha escrita. No entanto, para aprimorar-se, vencer a si mesmo e fazer sentido, o fruto da atividade literária precisa da interação com o leitor, a vida, o mundo, esse mundo que voa na velocidade da luz rumo à evolução tecnológica & outras. Isso nem sempre é bom: esse volume cada vez maior de informações massificadas, na tv, na internet e em todo lugar, em geral desestimula a leitura, a percepção do lirismo, da Literatura como necessidade primordial, para a “otimização” do indivíduo e de sua relação com o Todo. A Literatura precisa vencer as barreiras todas, as sociais, as econômicas, o preconceito, o desestímulo. E, nesse ponto, aplaudamos o Clube Amigos das Letras e sua feliz iniciativa chamada “Viva Livro”, um programa de leitura e circulação gratuita de livros. Aplaudamos seu responsável direto, Sérgio Grigoletto, e todos os demais colaboradores. Aplaudamos a escrita, a leitura, como escritores e/ou leitores sempre mais críticos e conscientes. E, nos vários sentidos possíveis, corramos o risco da evolução.

Suyan Faria
Araranguá - SC