O oco do vulcão   

  Alexandre Neves                
          Rio de Janeiro - RJ                     

Tu tinhas labaredas nos olhos!!
Aquelas que cismavam e lutavam
com as espadas douradas do dia.

Como duas asas imigrantes, teus braços
voavam para os meus, e apertávamos
vida contra vida. E sob o som das jovens
estrelas, as horas morriam grão a grão
na débil ampulheta.

Lábios que provavam frutos e beijos
maduros, lambuzavam-se com um
sorriso lento resvalado no canto
da noite, que escondia ledo o segredo
do grito.

E quantas vezes debrucei-me sobre as tuas
formas, e desmaiei tangendo livre as linhas
da tua guitarra, e após cada canção ensaiada,
sentia-me oco como um vulcão.

***

“Por serem o início de tudo, e agora no coração tudo que me deram, a vocês: mãe, pai e irmã”
* * * 
Alexandre Neves gosta de literatura, escreve há algum tempo mas só agora expõe seus trabalhos, considerando um marco a classificação do poema “Se fosse noite” na 10a edição do Concurso Francisco Igreja em agosto de 2005, no Rio de Janeiro. Lê Pablo Neruda, Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Mário Quintana e Olavo Bilac entre outros e admira Fabrício Carpinejar, um novo poeta.

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